Uma avaria em casa, uma despesa médica inesperada ou até os prejuízos provocados por uma tempestade podem desequilibrar rapidamente o orçamento familiar. Para evitar que um imprevisto se transforme num problema financeiro maior, o Banco de Portugal recomenda criar um fundo de emergência capaz de cobrir entre quatro e seis meses de despesas.
A recomendação surge num artigo da instituição dedicado aos impactos financeiros de fenómenos meteorológicos extremos, como tempestades, cheias, ondas de calor, secas e incêndios. Estes acontecimentos podem provocar danos materiais e despesas inesperadas, além de afetarem a capacidade das famílias para cumprir os seus compromissos financeiros.
Segundo o Banco de Portugal, um fundo de emergência pode ajudar a pagar pequenas reparações ou outras despesas enquanto se aguarda, por exemplo, pelo pagamento de um seguro, por apoios públicos ou até por um reajuste do orçamento familiar.
Quanto dinheiro deves ter no fundo de emergência?
O primeiro passo é somar todas as despesas mensais, incluindo as fixas, como renda, prestação da casa ou seguros, e as variáveis, como alimentação, transportes e lazer.
Depois, o Banco de Portugal recomenda multiplicar este valor por quatro a seis meses.
Por exemplo, se as tuas despesas mensais totais forem de 1.500 €, o fundo de emergência deverá atingir pelo menos:
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6.000 € para cobrir quatro meses;
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7.500 € para cinco meses;
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9.000 € para seis meses.
Quem trabalha por conta própria deve considerar um período ainda mais longo, uma vez que os rendimentos podem ser menos previsíveis.
Para alcançar este objetivo, a recomendação é analisar quanto sobra todos os meses depois de pagar as despesas e reservar uma parte para poupança. O valor deve ser o mais elevado possível, mas suficientemente realista para conseguires mantê-lo de forma consistente.
O Banco de Portugal aconselha ainda a tratar esta poupança como uma despesa fixa, colocando o dinheiro de parte logo no início do mês em vez de simplesmente poupar aquilo que sobrar no final.
O reembolso do IRS e os subsídios de férias ou de Natal também podem ser utilizados para reforçar esta reserva, como observa a instituição.
Dinheiro deve estar disponível quando for necessário
Como o objetivo deste fundo é responder rapidamente a uma emergência, o Banco de Portugal recomenda que o dinheiro seja colocado em produtos que permitam levantá-lo a qualquer momento.
Entre as opções mencionadas estão depósitos a prazo e contas poupança com liquidez imediata. Em alguns depósitos, retirar o dinheiro antes do prazo pode significar perder parte ou a totalidade dos juros, mas o capital continua disponível.
Outro ponto importante é escolher produtos com garantia de capital, ou seja, onde exista segurança quanto ao reembolso do dinheiro aplicado.
Nos depósitos bancários, por exemplo, o Fundo de Garantia de Depósitos protege até 100.000 € por depositante e por instituição em caso de insolvência do banco.
Sempre que possível, o Banco de Portugal recomenda ainda procurar uma remuneração capaz de acompanhar a inflação, evitando que a poupança perca poder de compra ao longo do tempo.
Fundo deve ser revisto conforme as despesas vão mudando
O montante necessário não deve permanecer igual para sempre. Uma alteração importante nos rendimentos ou nas despesas, como o nascimento de um filho ou um aumento da prestação da casa, pode exigir um reajuste do fundo de emergência.
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