
| Característica | Galaxy Z Fold8 |
|---|---|
| Ecrãs | 7,6 polegadas (interior) e 5,5 polegadas (exterior) Dynamic Amoled 2X |
| Processador | Snapdragon 8 Elite Gen5 (3nm) |
| Câmaras | 50 MP + 50 MP + 10 MP + 10 MP |
| RAM e armazenamento | 12 GB ou 16 GB; 256 GB, 512 GB ou 1 TB |
| Bateria | 4800 mAh com carregamento rápido de 45 W |
Dizemos à boca cheia que os smartphones são todos iguais. Depois, em 2019, a Samsung lançou o primeiro Galaxy Fold. Mas, convenhamos, notava-se bastante que era um produto de primeira geração e demorou vários anos até amadurecer.
Sete gerações de Fold e alguns (menos) Flip pelo meio e a marca sul-coreana abraça um novo formato de dobrável: o passaporte. Se no ecrã exterior temos um formato mais baixo e largo, bom para escrever com duas mãos, mas onde algumas apps ainda parecem demasiado achatadas, é no interior onde as coisas ficam interessantes face ao Galaxy Z Fold7.

Onde antes estava um ecrã com barras pretas excessivas no consumo de vídeo, agora temos um formato 4:3 que faz todo o sentido. Esse é o grande triunfo deste Fold. Mas após uma semana a usá-lo e passada a fase da lua de mel, temos de falar do que tem de bom, o que "nem por isso", e o que tem de melhorar. Afinal, exige 2069 € em Portugal.
Design e construção
Pegar neste equipamento pela primeira vez obriga a uma adaptação muscular, dado que a estética de passaporte muda as regras da usabilidade a que a indústria nos habituou. Fechado, é mais difícil escrever comodamente com apenas uma mão, mas mais fácil de atingir o topo com o dedo. Quando usas as duas mãos, é a melhor experiência de escrita que vais encontrar num dispositivo móvel nos dias que correm.

Com apenas 201g, este é o Galaxy Z Fold mais leve de sempre construído pela marca. E isso nota-se principalmente quando o usamos aberto (em modo tablet), sem esforço, mas com uma experiência de utilização bem mais atrativa.
A engenharia da dobradiça foi francamente refinada e a nova tecnologia Flex Titanium introduz uma estrutura de ecrã com uma camada (menor que um fio de cabelo humano) de titânio. Ao combinar uma película de liga de titânio com uma placa mecânica otimizada, a fabricante conseguiu reduzir a visibilidade do vinco no painel interior. Nota-se em alguns ângulos, mas nada de mais.

A abertura do dispositivo também beneficia de um equilíbrio entre a mecânica da dobradiça, a tensão do ecrã e a força magnética. Foi uma das críticas que fiz na review ao Fold7 e o movimento está mais suave. Testei-o nesta cor Lavanda que acompanha as opções cinza, creme e pistachio (esta exclusiva da loja online da Samsung).
Ecrãs e áudio
A verdadeira mudança acontece ao revelar o painel interior. O ecrã principal adota a proporção de 4:3, o que cria uma envolvência significativamente maior em sessões de gaming e, principalmente no consumo de vídeos. Esta alteração na geometria reduz o espaço não utilizado em conteúdos gravados em 16:9, o que faz desaparecer aquelas barras pretas gigantes que frustravam a experiência multimédia nas gerações passadas.

Tanto o ecrã exterior como o interior atingem um brilho de até 3000 nits, com suporte para Vision Booster e um acabamento com baixo reflexo que facilita a visualização sob luz solar intensa. Do lado de fora, o ecrã exterior-se tem proporção 10:16, pensada para navegação rápida e mensagens frequentes. É uma maravilha para "teclar", pois ficas com uma área de teclado alargada. Mas ainda há apps com uma experiência um pouco "espalmada".
No entanto, a dimensão sonora sofre um ligeiro revés. Os altifalantes encontram-se colocados do lado esquerdo quando o smartphone está aberto em formato paisagem, o que prejudica o balanço do som em estéreo e pode tapar a saída sonora consoante a posição das tuas mãos. São colunas de ótima qualidade, mas numa próxima geração diria que é um ponto a melhorar.

Desempenho e software
A fluidez do sistema é mantida pelo processador de topo da Qualcomm que aguenta qualquer tarefa pesada sem hesitar. Sejam jogos pesados ou várias aplicações a correr no ecrã interior, nunca senti o mínimo engasgo. Os números no Geekbench 6 atestam isso mesmo.
Pontuação do Samsung Galaxy S26 Ultra no Geekbench 6
- CPU: Single-core - 3479 pontos; Multi-core: 9625 pontos
- GPU: 20759 pontos
Ao nível do software, a integração das ferramentas de inteligência artificial foi desenhada para potenciar o formato expansível.
- A funcionalidade Now Brief fornece informações oportunas e notificações inteligentes no ecrã principal.
- O recurso Now Nudge sugere proativamente os próximos passos durante as tuas conversas, permitindo-te dividir o ecrã instantaneamente para pesquisar locais ou consultar compromissos na agenda.
- Para monitorizar todas estas tarefas ocultas, a interface One UI 9.0 introduz o painel AI Assistant Activity, onde centralizas e geres as automações a correr em segundo plano.

No campo da praticidade, o sistema barra-te a colocação de mais de quatro ícones de aplicações ativas lado a lado no ecrã exterior (tirando na barra inferior do mesmo), o que acaba por limitar o aproveitamento prático de toda a área útil. Nada que uma atualização não resolva. E por falar em atualizações, aqui há 7 anos de atualizações de software garantidas.
Se vens do ecossistema da Apple, a transição foi muito simplificada, dado que o novo Smart Switch permite transferir os teus dados sem fios apenas com um código QR diretamente no teu iPhone antigo. A partilha de ficheiros soltos também se tornou um processo imediato, pois o Quick Share agora tem compatibilidade direta com o sistema AirDrop.

Câmaras
O departamento fotográfico faz um trabalho competente nos mais variados cenários luminosos, suportado por duas câmaras de 50 MP que preservam a consistência de detalhe quer na perspetiva grande angular, quer na lente ultra grande angular. A qualidade global de vídeo é o que a Samsung já nos habituou no Galaxy S26 Ultra com o nível de estabilização auxiliado pela opção de bloqueio horizontal.
A funcionalidade de Gravação Dupla ajuda a captar os dois lados da ação simultaneamente, utilizando o ecrã de capa exterior para obteres uma pré-visualização contínua das reações. O software inclui ainda o My FanCam, uma tecnologia que segue automaticamente o sujeito que escolheres no quadro e reformata as imagens em tempo real.
A lacuna deste conjunto está na total ausência de uma lente teleobjetiva dedicada, o que penaliza o alcance do zoom ótico num equipamento posicionado nesta faixa de preço. Há zoom até 10 vezes, mas é digital. As câmaras frontais de 10 MP cumprem, mas já mereciam um upgrade.
Bateria
O Fold8 vem equipado com uma bateria com a capacidade de 4800 mAh. E apesar de estes números que fazerem franzir o sobrolho, o dispositivo deu provas de resiliência. A marca aposta pela primeira vez numa química baseada em silício carbono (em 20%).
Nos dias da viagem a Londres para o evento da Samsung, a autonomia não dava para o dia inteiro. Mas isso não é o meu uso real. Desde que voltei, a bateria entrega energia suficiente para um dia inteiro de trabalho intenso. Chego sempre ao final do dai com 30-40% de sumo restante.

O carregamento de 45 W também está longe de ser o mais rápido do mercado. Conseguimos carregar 63% em cerca de 30 minutos. Não é o carregamento ideal para quem tem de dar um duche rápido e sair, mas é melhor que os 25 W da geração anterior.
Para quem é o Galaxy Z Fold8
- Para os utilizadores que querem tirar partido da proporção 10:16 no ecrã exterior, ideal para escrever de forma natural e confortável com as duas mãos;
- Para quem consome horas de séries ou joga de modo intensivo, pois vai benificar do ecrã expansivo 4:3 livre de desperdício visual e das obsoletas barras pretas;
- Para os defensores da portabilidade no mundo dos dobráveis, que valorizam o facto de ser o modelo Galaxy Z Fold mais leve de sempre da fabricante, com ligeiros 201g na balança.
Não é para... os apaixonados da área fotográfica que necessitam de uma lente teleobjetiva avançada para isolar elementos a médias e longas distâncias físicas, para os consumidores com que não equacionam pagar valores premium nem para o tipo de utilizador focado na mobilidade básica, que prefere algo mais formatado para o uso com uma mão.

Conclusão
O Galaxy Z Fold8 representa a confirmação cabal de que a engenharia dos formatos móveis ainda tem um vasto terreno para trilhar. O design em formato passaporte abandona por completo as linhas estreitas das gerações passadas e injeta no uso diário vantagens evidentes na visualização contínua de vídeo e na aceleração da escrita digital a duas mãos.
A construção baseada em liga de titânio no ecrã, a minimização visual do vinco central e a conversão de ambos os painéis para rácios mais naturais assinalam a fase adulta desta tipologia de smartphones. Mesmo a tempo da chegada do primeiro iPhone dobrável, que terá ecrãs Samsung.

Há melhorias a fazer na distribuição de som em formato aberto, na limitação nos ícones de aplicações do ecrã central e numa estrutura de captação fotográfica desfalcada do imprescindível zoom ótico alargado. O valor comercial solicitado posiciona todo este Fold8 no domínio restrito de um produto de nicho financeiramente exigente.
Passada a Lua de Mel, continua a conquistar. Se estiveres disposto a viver com as limitações desta geração, é o smartphone dobrável a comprar em 2026.
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