A Shein pode aumentar os preços dos produtos vendidos na Europa para compensar o impacto da taxa de 3 € aplicada às encomendas extra comunitárias de valor igual ou inferior a 150 euros. A medida entrou em vigor a 1 de julho e representa um novo desafio para o modelo de negócio da gigante chinesa.
A informação chega através de documentação enviada pela empresa à Bolsa de Hong Kong, no âmbito do processo para uma eventual entrada em bolsa. Segundo o jornal Cinco Días, a Shein admite que o novo custo pode afetar as vendas europeias, à semelhança do impacto já registado nos Estados Unidos após alterações às regras aplicadas às importações provenientes da China.
Nova taxa pode mudar estratégia da Shein
Durante anos, a Shein beneficiou na União Europeia de regras que facilitavam a entrada de pequenas encomendas e de uma isenção de direitos aduaneiros para envios com valor inferior a 150 euros. A nova taxa de 3 € altera esse cenário e aumenta os custos associados a cada encomenda abrangida.
A empresa admite ainda a possibilidade de serem introduzidos novos custos de processamento entre 2 e 4 € nos próximos meses. Como grande parte dos produtos vendidos pela Shein tem origem na China continental, a empresa considera que as alterações podem ter um impacto significativo no negócio, nas receitas e nos resultados.
Preços podem subir para compensar custos
Para recuperar parte dos encargos adicionais, uma das respostas previstas pela Shein passa pelo aumento dos preços na Europa. A estratégia pode, contudo, ter um efeito secundário: produtos mais caros podem levar alguns consumidores a reduzir as compras.
A empresa reconhece que este cenário pode eventualmente provocar uma queda nos volumes de vendas a curto prazo. O impacto pode ser semelhante ou até superior ao observado nos Estados Unidos da América, onde a alteração das regras de importação já pressionou o negócio.
Europa já é o maior mercado da Shein
O impacto da nova taxa ganha ainda maior importância devido ao peso da Europa no negócio da empresa. No primeiro trimestre de 2026, o mercado europeu representou mais de 32% das receitas totais da Shein, tornando-se o principal mercado mundial do grupo.
A empresa alerta que novas tarifas ou restrições, sobretudo quando os produtos são enviados diretamente da China, podem dificultar a sua operação e obrigar a novos ajustes na estratégia comercial.
Taxa de 3 € pode ser temporária
A atual taxa de 3 € pode ter um carácter transitório. A União Europeia prevê uma reforma aduaneira mais abrangente em 2028, altura em que o atual modelo pode ser substituído por direitos aduaneiros aplicáveis às diferentes categorias de produtos.
Até lá, os consumidores europeus podem vir a sentir o impacto diretamente no preço das encomendas. Para a Shein, aumentar os preços pode ser a principal forma de absorver os novos custos, embora a empresa reconheça o risco de perder vendas num dos seus mercados mais importantes.
