Durante vários anos, a Mercedes apostou fortemente em interiores cada vez mais digitais, com grandes ecrãs e cada vez menos comandos físicos.
O MBUX Hyperscreen tornou-se um dos maiores símbolos dessa estratégia, ao ocupar praticamente todo o tabliê de alguns modelos.
Agora, a própria marca reconhece que pode ter exagerado.
Em declarações à Autocar, o CEO da Mercedes-Benz, Ola Källenius, admitiu que a indústria automóvel foi demasiado longe na eliminação dos botões físicos.
Isto não significa que os grandes ecrãs vão desaparecer. A estratégia passa antes por encontrar um equilíbrio entre as duas soluções e devolver comandos físicos às funções onde fazem mais sentido.
Estes Mercedes já estão a recuperar botões físicos
A mudança começa a ser visível nos modelos mais recentes da marca.
O Mercedes-Benz CLA, eleito Carro do Ano 2026 na Europa, mantém um interior fortemente digital, mas já recupera comandos físicos no volante para algumas das funções utilizadas com maior frequência.
O mesmo acontece com o novo Mercedes-Benz GLC. A nova geração utiliza um volante onde regressam botões, seletores e comandos físicos, sem abdicar dos grandes ecrãs.
Segundo a Autocar, esta nova abordagem deverá ser adotada progressivamente noutros modelos da Mercedes. Também o Mercedes-Benz GLB segue esta tendência. Continua a apostar fortemente no sistema MBUX e nos ecrãs, mas recupera alguns controlos físicos no volante.
O SUV já está disponível em Portugal e pode ter até sete lugares, juntando esta nova abordagem ao interior a uma arquitetura elétrica de 800 V.
Ou seja, a Mercedes não está a regressar aos interiores cheios de botões de há uma década. Está antes a recuperar comandos físicos para algumas das ações que os condutores utilizam mais vezes.
Outros Mercedes continuam muito dependentes dos ecrãs
A mudança ainda não chegou a toda a gama. Modelos como o EQE SUV, EQS, EQS SUV, Classe E e Classe S continuam a apostar fortemente nos ecrãs do sistema MBUX.
Nestes carros, várias funções como climatização, multimédia, navegação e definições do veículo continuam concentradas nos ecrãs.
Ou seja, a Mercedes já começou a recuperar alguns botões físicos, mas os grandes ecrãs continuam a ter um papel central em muitos dos modelos vendidos atualmente.
Porque um botão pode fazer diferença na estrada
Num botão físico, o condutor pode muitas vezes identificar o comando através do tato e utilizá-lo sem precisar de olhar durante tanto tempo para o tabliê.
Num ecrã tátil, é normalmente necessário localizar visualmente a função pretendida e confirmar onde se está a tocar. Se essa função estiver dentro de vários menus, a interação pode tornar-se ainda mais demorada.
O Euro NCAP passou a dar maior importância à facilidade com que o condutor consegue utilizar determinadas funções e já penalizou automóveis por concentrarem demasiados controlos importantes no ecrã central.
Também a TRL, organização britânica especializada em investigação na área dos transportes, tem alertado para a distração associada à utilização de interfaces digitais durante a condução.
A Mercedes diz que os próprios dados mostram a diferença
A mudança de estratégia também não acontece apenas devido às críticas feitas aos grandes ecrãs.
Magnus Östberg, responsável pela área de software da Mercedes-Benz, já tinha explicado que os próprios dados recolhidos pela marca mostravam que os botões físicos funcionavam melhor em determinadas interações.
Os grandes ecrãs vão continuar a fazer parte dos Mercedes dos próximos anos. Mas a marca parece ter percebido que nem todas as funções precisam de estar escondidas atrás de um menu.
O futuro deverá passar por um equilíbrio: ecrãs para as funções mais avançadas e comandos físicos para aquilo que precisa de ser utilizado rapidamente durante a condução.
