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Pagamentos por telemóvel disparam na Zona Euro, mas o dinheiro recusa-se a morrer

Os pagamentos por telemóvel estão a ganhar terreno na zona euro, enquanto o dinheiro recuperou parte da presença perdida. Um inquérito do Banco Central Europeu mostra que a aceitação de pagamentos móveis pelas empresas quase duplicou em apenas dois anos.

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pessoa a pagar conta com telemóvel
Imagem ilustrativa Crédito@Pexels

Os hábitos de pagamento dos europeus estão a mudar a um ritmo acelerado, mas com uma reviravolta surpreendente. Segundo dados recentes revelados pelo Banco Central Europeu (BCE), o uso do telemóvel para fazer pagamentos quase duplicou em apenas dois anos, atingindo 68% das empresas.

No entanto, ao contrário do que se antecipava, o dinheiro físico não só resistiu como registou uma recuperação histórica nos pontos de venda.

Dinheiro volta a ganhar espaço nas lojas

Apesar do avanço dos pagamentos digitais, o dinheiro continua a ser o meio de pagamento mais aceite na zona euro. Segundo o BCE, 92% das empresas com pontos de venda físicos aceitavam pagamentos em numerário em 2026. Em 2024, essa percentagem era de 90%.

A recuperação interrompe uma tendência de queda registada durante e imediatamente após a pandemia, período em que muitos consumidores e empresas passaram a privilegiar pagamentos sem contacto.

O estudo foi realizado entre fevereiro e abril de 2026 junto de 8.205 empresas dos setores do comércio a retalho, restauração, hotelaria e lazer nos 21 países que integram atualmente a Zona Euro.

Cartões continuam praticamente omnipresentes

Os cartões mantêm uma posição de destaque nos pagamentos presenciais. A taxa de aceitação permaneceu estável em 88% das empresas inquiridas.

Já os pagamentos através de dispositivos móveis registaram uma evolução muito mais expressiva, subindo de 36% para 68% em apenas dois anos.

A diferença mostra como os pagamentos digitais estão a ganhar espaço rapidamente, embora o dinheiro continue a ter uma presença muito significativa no comércio físico.

Empresas estão a incentivar pagamentos digitais

O avanço dos pagamentos móveis também está a ser acompanhado por mudanças nos próprios estabelecimentos.

Cerca de 25% das empresas inquiridas afirmaram ter adotado medidas para promover os pagamentos digitais. Entre as estratégias estão o investimento em caixas registadoras preparadas para pagamentos sem numerário e a redução do número de caixas onde o dinheiro é aceite.

Outro dado chama a atenção: 13% das empresas já dispõem de caixas de auto atendimento. Para os comerciantes, a escolha dos meios de pagamento é influenciada sobretudo pelas preferências dos clientes, mas também pela segurança e pela facilidade de gestão.

Dinheiro ainda tem vantagens que os consumidores valorizam

Mesmo com o crescimento acelerado das soluções digitais, o numerário mantém características que continuam a ser valorizadas pelas empresas. Entre as principais vantagens associadas ao dinheiro estão a proteção da privacidade e a fiabilidade, segundo o BCE.

Isso ajuda a explicar por que motivo o numerário continua a ser amplamente aceite, mesmo num cenário em que os pagamentos móveis estão a crescer a um ritmo muito superior ao registado nos últimos anos.

O que isto significa para o futuro do euro?

A evolução acontece enquanto o BCE avança com o projeto do euro digital, concebido como uma nova forma de pagamento digital que deverá coexistir com as notas e moedas.

O lançamento do euro digital está previsto para o final desta década, embora o calendário dependa da evolução do projeto e do enquadramento legislativo. Em simultâneo, decorre agora uma votação para escolher as próximas notas euro com participação aberta a todos os cidadãos europeus.

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Mónica Marques
Mónica Marques
Ao longo de mais de 20 anos de carreira na área da comunicação assistiu à chegada do 3G e outros eventos igualmente inovadores no mundo hi-tech. Em 2020 juntou-se à equipa do 4gnews.