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Conduzi o Tesla Model 3 mais caro em Portugal: como se porta?

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Tesla

Tesla Model 3 Performance
★★★★☆4.5Muito Bom

O Tesla Model 3 Performance junta 460 cavalos a uma suspensão adaptativa verdadeiramente competente. É rápido em linha reta (faz 0-100 km/h em 3,1 segundos) e revela-se eficaz em curvas. Os mais puristas não vão gostar da dependência do ecrã para algumas funções e da ausência de Waze. O Modo Louco (Ludicrous) cobra a sua fatura nos consumos quando abusamos do acelerador, mas o divertimento e o sorriso no rosto podem justificar cada cêntimo.

Prós
  • Aceleração de 0 a 100 km/h em 3,1 segundos que te cola instantaneamente ao banco

  • Suspensão adaptativa em tempo real eleva a precisão em curva e o conforto diário
  • Modo de Pista avançado permite personalizar afinações de estabilidade, tração e travagem regenerativa
  • Bancos desportivos ventilados oferecem excelente encaixe sem abdicar do conforto térmico
  • Sistema de som com 15 altifalantes, subwoofers duplos e amplificadores duplos tem excelente qualidade
Contras
  • Falta de integração nativa de aplicações como o Waze ou Android Auto e Apple CarPlay
  • Seleção de marcha feita exclusivamente no ecrã tátil exige hábito em manobras apertadas
  • Consumos sobem rapidamente ao explorar todo o potencial do Modo Louco
  • Entrada da bagageira traseira é algo estreita para objetos mais volumosos
Caraterística Especificação
Potência máxima 460 cv
Aceleração (0-100 km/h) 3,1 segundos, máximo 262 km/h
Autonomia (WLTP) 571 km
Tração Motor duplo integral (AWD)
Carregamento rápido Até 250 kW (recupera até 237 km em 15 min)

Depois de ter colocado à prova a vertente focada na eficiência na versão Long Range e a versão mais acessível do Model 3, chegou a vez de testar o extremo oposto da gama. O mais recente Tesla Model 3 Performance chegou ao mercado português com preços a começar nos 58 475 euros, que se posiciona frente a propostas desportivas que facilmente ultrapassam os seis dígitos.

Esta versão não recebeu só um aumento de potência. A marca reformulou o chassis, integrou suspensão adaptativa e introduziu elementos aerodinâmicos funcionais em fibra de carbono para criar uma experiência de condução mais desportiva.

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Design, interior e conforto

Por fora, a presença deste Performance impõe respeito logo ao primeiro olhar. O difusor traseiro redesenhado, a secção frontal mais vincada e o spoiler em fibra de carbono complementam as jantes forjadas Warp de 20 polegadas, para maior sustentação a alta velocidade.

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E este vermelho assenta-lhe que é uma maravilha. É aquele clássico de associarmos esta cor a algo desportivo. Aconteceu-me o mesmo pensamento quando testei o Mazda 6e. No habitáculo, o minimalismo característico da marca ganha acabamentos exclusivos com inserções de fibra de carbono.

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Os bancos desportivos são uma adição de peso. Têm apoios laterais pronunciados que seguram o corpo nas curvas mais agressivas, e mantêm as funções de aquecimento e ventilação.

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A seleção de marchas (Drive, Reverse e Park) está na lateral do ecrã tátil central, o que pode sempre exigir habituação a novos condutores. Mas o sistema de previsão seleciona o sentido de marcha ao carregar no travão. Atrás, o ecrã de 8 polegadas permite personalizar a ventilação e entreter os passageiros com YouTube ou Netflix.

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A capacidade da bagageira mantém os práticos 682 litros combinados com a frunk dianteira. Também aqui temos uma entrada de bagageira mais baixa face ao Model Y, que pode tornar mais difícil a entrada de objetos altos. Mas não há como dizê-la de outra forma: é uma bagageira muito espaçosa.

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Tecnologia e Infoentretenimento

O ecrã tátil de 15,4 polegadas continua a ser o centro do veículo, com fluidez que considero referência na indústria. Neste Performance não posso deixar de destacar sistema de som concebido pela Tesla com 15 altifalantes e subwoofers duplos. Nota-se a diferença para outros modelos e dá vontade de nunca sairmos do carro para desfrutar das canções favoritas.

Continua apenas a notar-se a ausência de uma integração nativa do Waze para avisos de trânsito em tempo real. O sistema de navegação da Tesla é baseado no Google Maps, tem uma excelente integração de postos de carregamento e previsão de bateria à chegada. Mas o Waze seria um excelente complemento.

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O grande trunfo nesta versão é a vertente desportiva do software. Em destaque encontramos o consagrado Modo Louco (Ludicrous), a definição que desbloqueia a curva de aceleração mais agressiva do grupo motopropulsor. Envia a totalidade dos 460 cavalos e o binário instantâneo para as quatro rodas sem qualquer filtro.

Para quem quer levar a experiência mais longe, o Modo de Pista (Track Mode) pode transformar o ecrã numa central de telemetria, que permite gerir a distribuição de binário entre o eixo dianteiro e traseiro, desligar ou ajustar o controlo de estabilidade e alterar a intensidade da travagem regenerativa para arrefecer ou preservar os travões.

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Por falar em travagem regenerativa, já o disse noutras análises e volto a dizer nesta. A Tesla tem das travagens regenerativas mais suaves da indústria. É extremamente raro termos de dar uso ao travão no dia a dia e isso acrescenta bastante comodidade na condução, principalmente em cidade.

Desempenho, consumos e autonomia

Durante o nosso teste, percorremos um total de 722 km quilómetros com o veículo em diversos cenários, desde percursos urbanos até traçados sinuosos e tiradas de autoestrada (maioritariamente neste caso). A média final registada foi de 17,97 kWh aos 100 quilómetros.

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Este valor fica acima dos 16,5 kWh/100 km homologados pela marca, mas a explicação é simples. Foi impossível resistir a puxar várias vezes pelo Modo Louco (Ludicrous) para sentir a aceleração instantânea de 0 a 100 km/h em escassos 3,1 segundos.

Cada aceleração a fundo tem consequências diretas no consumo de energia, mas o nível de adrenalina compensa a perda marginal de eficiência. E convenhamos: o utilizador que compra o Performance não será o mais preocupado com os consumos.

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A suspensão adaptativa absorve pisos degradados com conforto e transforma-se em algo firme e preciso assim que se adotam ritmos mais vivos. A velocidade máxima alcança uns impressionantes 262 km/h, aos quais não cheguei nem perto pois não andei em pista.

Quando chega o momento de carregar, a potência de pico de 250 kW nos Superchargers permite recuperar energia com rapidez, o que adiciona até 237 km de autonomia em 15 minutos. É uma ótima potência e nunca sentimos que a viagem é atrasada. Mas está na hora de a marca começar a aumentar a velocidade de carregamento para outros valores.

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Condução autónoma e segurança

O pacote de segurança ativa engloba a travagem de emergência automática, a assistência de manutenção na faixa de rodagem e a visualização dos ângulos mortos no ecrã. O cruise control adaptativo com manutenção na faixa de rodagem vem de série e funciona muito bem em em autoestrada.

A Capacidade de Condução Automatizada Total ainda não se encontra aprovada em Portugal, mas é uma opção de subscrição por 99 € mensais quando chegar por cá. Se quiseres saber um pouco mais como como funciona, vê o nosso vídeo de teste em Amesterdão.

Para quem é o Tesla Model 3 Performance

  • Para quem procura a máxima performance por euro investido, com acelerações dignas de supercarros e dinâmica apurada em curva;
  • Condutores que adoram afinar parâmetros do carro em detalhe e explorar track days através do Modo de Pista;
  • Quem valoriza a versatilidade de um carro familiar para o dia a dia que se transforma num desportivo com uns toques no ecrã;
  • Para quem valoriza um sistema de som fenomenal, com ótima noção espacial, qualidade e detalhe.

Não é para.. quem coloca a máxima autonomia e a economia acima de tudo (a versão Long Range é a escolha mais racional para esse perfil), quem prefere manetes tradicionais dedicadas para as marchas em vez de comandos táteis no ecrã ou condutores que não pretendem pagar o acréscimo de preço e o custo de manutenção associado a pneus e jantes de 20 polegadas desportivas.

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Conclusão

O Tesla Model 3 Performance é um dos automóveis mais impressionantes que já testei. Usar o Modo Louco e ir 0 aos 100 km/h em qualquer coisa como 3,1 segundos deixa qualquer impactado. Principalmente quando é efeito em absoluto silêncio.

Tal como noutros Tesla que já testámos, o sistema de infoentretenimento da marca é fenomenal. Mas gostaria de ter o Waze como alternativa de navegação e alguns utilizadores podem sentir falta do Android Auto ou do Apple CarPlay. O sistema de som dá vontade de pôr os nossos álbuns favoritos a tocar e nunca sair do carro.

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Embora os consumos reais subam para a casa dos 18 kWh aos 100 km quando nos deixamos entusiasmar pelo Modo Louco, a suspensão adaptativa e a eficácia do chassis podem justificar em pleno o valor de 58 475 euros a que se encontra em Portugal. É um desportivo completo, tecnológico e absurdamente rápido. E este vermelho assenta-lhe que nem uma luva.

Bruno Coelho
Bruno Coelho
Bruno Coelho é Editor-chefe do 4gnews. Foca-se em smartphones, áudio, telecomunicações e carros elétricos. Alia mais de 400 reviews desde 2017 a visitas a fábricas de smartphones na China e coberturas do MWC e IFA.