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Oura Ring enfrenta processo que põe em causa a medição do teu sono

A forma como o Oura Ring identifica as diferentes fases do sono está no centro de um processo nos Estados Unidos. A empresa é acusada de exagerar a precisão do anel, mas rejeita as alegações e garante que a tecnologia tem validação científica.

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Fonte: Oura (Montagem)

O Oura Ring tornou-se popular por transformar os sinais recolhidos no dedo em informações sobre o tempo que passamos acordados ou em sono leve, profundo e REM. Esta é também uma das principais características do Oura Ring 5.

No entanto, a forma como a empresa apresenta a precisão destes dados está agora a ser questionada em tribunal.

Processo questiona promessa de 95% de precisão

A queixa apresentada a 20 de agosto no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia acusa a Oura de utilizar publicidade falsa ou enganadora para promover os seus anéis inteligentes.

Entre as afirmações contestadas estão expressões como “precisão incomparável” e a promessa de 95% de precisão na identificação das fases do sono quando comparado com um laboratório clínico.

A autora do processo, Madison Surber, argumenta que as fases do sono são determinadas clinicamente através da atividade elétrica do cérebro, dos movimentos dos olhos e do tónus muscular. Como o Oura Ring não mede diretamente nenhum destes sinais, o dispositivo estaria apenas a estimar aquilo que acontece durante a noite.

O anel utiliza informações como o ritmo cardíaco, a variabilidade da frequência cardíaca, a respiração, a temperatura e os movimentos do utilizador. Depois, um algoritmo cruza esses dados para tentar identificar cada fase do sono.

O processo procura representar outros compradores nos Estados Unidos e pede indemnizações, restituição dos valores pagos e possíveis alterações à publicidade da Oura. Contudo, a ação ainda precisa de ser certificada como coletiva e as acusações não foram provadas em tribunal.

Oura rejeita acusações e defende a tecnologia

Numa resposta publicada pela própria empresa, a Oura afirma que os seus anéis não funcionam através de simples suposições e que existem vários estudos científicos que compararam os resultados com a polissonografia, o exame clínico de referência para analisar o sono.

A empresa esclarece ainda que o valor de 95% está relacionado sobretudo com a capacidade de distinguir quando uma pessoa está acordada ou a dormir. Quando é necessário separar o sono leve, profundo, REM e os períodos acordado, os estudos citados pela Oura apontam para uma concordância entre 76% e 79% com os resultados laboratoriais.

A própria marca reconhece que o Oura Ring não é um dispositivo médico e não substitui um exame clínico. A principal diferença está, por isso, na forma como a tecnologia é apresentada: o anel não observa diretamente o cérebro, mas estima as fases do sono através dos restantes sinais do corpo.

Estes dispositivos podem ser úteis para acompanhar tendências e perceber alterações nos hábitos ao longo do tempo, uma das vantagens abordadas na comparação entre anéis e pulseiras inteligentes. Ainda assim, os dados não devem ser tratados como um diagnóstico médico.

Como é que isto te afeta?

Para já, nada muda no funcionamento do Oura Ring. O principal cuidado está na interpretação dos dados: as fases do sono são estimativas, não medições clínicas exatas.

Se o processo avançar, a Oura poderá ter de esclarecer melhor a precisão do anel, alterar a publicidade e eventualmente compensar compradores nos Estados Unidos. Em Portugal, não existe qualquer impacto direto anunciado.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.