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O teu próximo carro pode esconder parte de outro veículo. Eis o porquê

A União Europeia aprovou novas regras que vão mudar a forma como os automóveis são construídos e reciclados. Os fabricantes terão de usar mais materiais reciclados e criar veículos mais fáceis de desmontar, reparar e reutilizar.

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Imagem gerada por IA | ChatGPT

As novas regras não significam que terás de trocar de carro ou mandar abater o veículo que já tens. As principais obrigações destinam-se aos fabricantes e às empresas responsáveis pela recolha e reciclagem de automóveis.

O novo regulamento entra em vigor a 13 de agosto de 2026, mas só começa a ser aplicado a partir de 1 de setembro de 2028. Até lá, continuam válidas as atuais regras para veículos em fim de vida.

Segundo a Comissão Europeia, o objetivo é acompanhar todo o ciclo de vida do automóvel, desde o momento em que é desenhado e produzido até à sua desmontagem e reciclagem.

Carros novos terão mais plástico reciclado

Uma das mudanças mais importantes está nos materiais utilizados. Os fabricantes terão de incluir uma percentagem mínima de plástico reciclado em cada novo tipo de veículo:

  • 15% a partir de setembro de 2032;
  • 25% a partir de setembro de 2036.

Pelo menos 20% destas metas terá de ser alcançado através de plástico recuperado de veículos em fim de vida ou de peças retiradas durante a utilização do automóvel.

Na prática, isto significa que uma parte crescente dos plásticos presentes nos carros novos deixará de ser produzida apenas com matérias-primas virgens. A Comissão Europeia também deverá definir metas para a utilização de aço e alumínio reciclados, previstas para começar a ser aplicadas em 2033.

Os automóveis terão ainda de ser concebidos para facilitar a remoção e substituição de componentes. Os fabricantes também terão de disponibilizar informações mais claras sobre as peças, os materiais utilizados e a forma correta de os desmontar.

Esta não é a única mudança recente para os carros novos. Desde julho, os veículos vendidos na União Europeia também estão sujeitos a um novo conjunto de sistemas de segurança obrigatórios.

O que muda realmente para os condutores?

Para quem compra um carro, as diferenças poderão não ser imediatamente visíveis. No entanto, os veículos deverão tornar-se mais fáceis de reparar, desmontar e reciclar, o que poderá aumentar a disponibilidade de peças usadas e reduzir alguns custos de manutenção.

A Comissão Europeia estima que as novas regras representem um custo inferior a 70 euros por veículo. Ao mesmo tempo, prevê que uma maior oferta de componentes em segunda mão possa ajudar a baixar o preço de algumas reparações.

Os fabricantes também passarão a contribuir para os custos de recolha e tratamento dos veículos que chegam ao fim da sua vida útil. A intenção é evitar que automóveis abandonados ou sem condições de circular desapareçam dos registos e sejam desmontados ilegalmente.

A partir de meados de 2031, apenas veículos considerados aptos para circular poderão ser exportados para fora da União Europeia. A medida pretende impedir que automóveis em fim de vida sejam enviados para outros países como se fossem veículos usados.

As regras serão também alargadas gradualmente a outras categorias, incluindo motociclos, camiões e autocarros. A União Europeia está, assim, a tentar recuperar mais plástico, aço, alumínio, cobre e terras raras, mantendo estes materiais novamente disponíveis para fabricar ou reparar outros veículos.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.