
O mercado de telecomunicações em Portugal mudou. Os dados oficiais da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) indicam que o final do segundo trimestre de 2026 ficou marcado pela primeira redução trimestral de subscritores de ofertas em pacote desde que a recolha desta informação arrancou no ano de 2011. Não admira que cada vez mais compense ter serviços separados.
Existe um total de 4,8 milhões de subscritores, o que ainda assim representa uma subida homóloga de 29 mil clientes e um crescimento de 0,6 por cento. Mas comparação direta com os primeiros 3 meses do ano diz que se perderam cerca de 4 mil contratos, numa descida de 0,1 por cento. O abrandamento no crescimento destas ofertas tem vindo a notar-se de forma gradual desde o ano de 2015.
Pacotes de 3 serviços com a maior diminuição da década
A prova desta alteração de comportamento está na queda abrupta de 10% nos pacotes de três serviços, que contam agora com 1,4 milhões de utilizadores e representam 28,4% do total. Trata-se da maior diminuição anual registada na última década.
Em contraste, os pacotes mais básicos de dois serviços regressaram a uma trajetória de crescimento com uma subida de 7,5%. As ofertas mais completas de quatro ou cinco serviços mantêm a liderança isolada, com 3,0 milhões de subscritores, o equivalente a 62,2% do mercado, com um crescimento homólogo de 5,3 por cento.
Opções dos consumidores estão a mudar
As opções dos consumidores estão a mudar e a fuga para soluções individuais ganha força. A tendência atual mostra que podes encontrar um tarifário de telemóvel ao melhor preço totalmente desvinculado do teu contrato de casa. E depois encontrar um serviço de internet fixa ao melhor preço para complementar as tuas necessidades, sem ficares preso a fidelizações e faturas gigantes.
Entre os meses de janeiro e junho de 2026, as receitas geradas exclusivamente pelos serviços em pacote atingiram os 1134 milhões de euros, excluindo o imposto de valor acrescentado. Este montante espelha 57,5% da totalidade das receitas retalhistas de comunicações eletrónicas no país.
Receita média por subscritor é de 39,53 €
O valor mostra uma ligeira quebra de 0,8% face ao mesmo período do ano passado. A receita média mensal gerada por cada subscritor fixou-se nos 39,53 euros, assinalando igualmente um decréscimo de 0,1 por cento em termos homólogos.
A pressão competitiva exercida pela nova entidade que junta o Grupo DIGI e a NOWO já produziu efeitos práticos na distribuição das quotas de mercado. Este operador conseguiu aumentar a sua fatia de clientes em 0,6% face ao período homólogo, com um total de 3,4 por cento dos subscritores de pacotes.
DIGI ainda está longe, mas rivais já perdem fulgor
Do lado oposto, os operadores tradicionais perdem terreno. O Grupo Altice registou uma descida de 0,3%, embora mantenha a liderança com 41,3% do mercado. A Vodafone sofreu um recuo de 0,2%, ocupando a terceira posição com 20,3%. O Grupo NOS foi o único a estancar a queda, com a sua quota inalterada nos 34,9%.
No que diz respeito à faturação e às receitas efetivas destes serviços em pacote, a liderança pertence ao Grupo Altice com uma quota cifrada nos 39,9%. A segunda posição é ocupada pelo Grupo NOS que arrecada 37,8% das receitas globais, seguido de perto pela Vodafone com 20,7%. O Grupo DIGI e NOWO tem uma quota de receitas que se situa nos 1,5%.
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