Ao comprar através dos nossos links, podemos receber uma comissão. Saiba como funciona.

AdBlue é mesmo um problema? Quanto custa e quando pode dar dores de cabeça

O AdBlue custa pouco numa utilização normal, mas uma falha no sistema pode deixar o carro sem arrancar. Explicamos como funciona e se deve pesar na compra de um carro a Diesel.

Adicionar 4gnews como fonte preferida
adbluecomdiesel
Fonte: Adobe Stock

A pequena tampa azul encontrada em muitos automóveis a gasóleo continua a levantar dúvidas. Há quem pense que o AdBlue é um combustível, um aditivo misturado no gasóleo ou até um líquido destinado a melhorar o desempenho do motor.

Na realidade, não é nenhuma dessas coisas. O AdBlue serve exclusivamente para reduzir as emissões produzidas pelos motores a gasóleo. O seu funcionamento é automático e, durante uma utilização normal, o condutor apenas precisa de garantir que existe líquido suficiente no depósito.

O problema é que, quando alguma coisa falha, a reparação pode ser bastante mais cara do que o próprio AdBlue.

O que é o AdBlue e como funciona?

O AdBlue é uma solução composta por 32,5% de ureia e 67,5% de água desmineralizada, segundo explica a Peugeot.

Apesar de estar normalmente junto à entrada do depósito de combustível, o AdBlue fica guardado num depósito independente e nunca é misturado com o gasóleo. A Associação Alemã da Indústria Automóvel explica também que o líquido deve cumprir a norma ISO 22241.

O processo funciona da seguinte forma:

  1. O motor queima o gasóleo e produz gases de escape.
  2. O sistema injeta uma pequena quantidade de AdBlue no escape.
  3. Com a temperatura elevada, a ureia liberta amoníaco.
  4. No catalisador SCR, esse composto reage com os óxidos de azoto.
  5. Os gases são transformados principalmente em azoto e água.

A quantidade necessária é calculada eletronicamente. A Bosch explica que o módulo de dosagem controla com precisão a quantidade de líquido enviada para o escape.

esquemaadblue
Esquema do Audi A3 | Fonte: Audi

O AdBlue também não deve ser confundido com o filtro de partículas. O filtro de partículas, também conhecido como FAP ou DPF, retém as partículas de fuligem. Já o conjunto formado pelo AdBlue e pelo catalisador SCR atua principalmente sobre os óxidos de azoto.

Quanto custa utilizar AdBlue?

O consumo depende do automóvel, do peso, do motor e do tipo de utilização. Como referência, a VDA aponta para um consumo médio de aproximadamente 1,5 litros por cada 1.000 quilómetros.

Com base nesse valor, fizemos três simulações:

Preço considerado Custo por 1.000 km Custo em 15.000 km Custo em 20.000 km
1 € por litro 1,50 € 22,50 € 30 €
1,50 € por litro 2,25 € 33,75 € 45 €
2 € por litro 3 € 45 € 60 €

Estes valores são apenas simulações, uma vez que o preço varia consoante o local, a quantidade e o formato de venda.

Portanto, numa utilização normal, o AdBlue representa uma despesa relativamente pequena. O combustível continuará a ser uma parte muito mais pesada do orçamento. Para reduzir esse custo, podes utilizar algumas das melhores aplicações para encontrar combustível mais barato.

Problemas mais comuns e respetivas soluções

Situação O que pode acontecer O que deves fazer
Depósito vazio O carro pode bloquear um novo arranque Abastecer antes de a autonomia chegar a zero
AdBlue colocado no depósito de gasóleo Pode danificar o sistema de combustível Não ligar o motor e pedir assistência
Gasóleo ou óleo no depósito de AdBlue Pode danificar o sistema SCR Não utilizar o automóvel antes de uma verificação
Aviso permanece depois do atesto Pode existir uma falha no sensor, na bomba ou no depósito Fazer um diagnóstico numa oficina
Líquido contaminado Pode provocar depósitos e problemas no sistema Usar apenas produto que cumpra a norma ISO 22241
AdBlue congelado O líquido congela perto dos -11 ºC Deixar descongelar; não é necessário substituí-lo

Ficar sem AdBlue não é uma avaria

Quando a autonomia chega a zero, o automóvel não deverá desligar-se subitamente em andamento. No entanto, depois de o motor ser desligado, o sistema pode impedir um novo arranque.

A Volkswagen confirma que o carro não volta a arrancar quando deixa de existir autonomia de AdBlue. Para evitar ficar imobilizado, o melhor é abastecer logo após os primeiros avisos.

Depois do atesto, alguns modelos exigem uma quantidade mínima ou alguns minutos até reconhecerem o novo nível. Por isso, convém seguir as instruções presentes no manual do automóvel.

O erro que pode sair caro

Se colocares AdBlue no depósito de gasóleo, não ligues sequer a ignição. O ADAC alerta que o líquido pode chegar ao sistema de injeção e provocar danos dispendiosos em bombas, tubos, filtros e injetores.

O procedimento correto é chamar assistência e mandar esvaziar e limpar o depósito.

Também não deves transportar AdBlue em recipientes anteriormente utilizados para gasóleo, óleo ou lubrificantes. A Yara alerta que pequenas contaminações podem danificar o sistema SCR.

E a cristalização do AdBlue?

Quando seca, o AdBlue pode deixar resíduos brancos. Uma pequena quantidade junto à tampa nem sempre significa que existe uma avaria, podendo ser limpa com água.

A situação é diferente quando a cristalização aparece dentro do depósito, na bomba ou nos componentes do sistema. Nestes casos, podem surgir mensagens de erro e o automóvel pode entrar numa contagem decrescente até bloquear o arranque.

A DECO PROteste denunciou problemas em determinados modelos Citroën e Peugeot, indicando que a substituição do depósito pode custar entre 800 e 1.200 euros.

Isto não significa que todos os automóveis com AdBlue tenham este problema. Trata-se de casos associados a determinadas viaturas e componentes.

A Stellantis criou entretanto uma cobertura especial para alguns veículos Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall, produzidos entre janeiro de 2014 e agosto de 2020.

A cobertura pode aplicar-se até aos 210.000 quilómetros e varia consoante a idade e a quilometragem. As condições anunciadas são válidas até agosto de 2028, pelo que os proprietários afetados devem confirmar a elegibilidade num reparador autorizado.

Se o problema surgir depois de uma intervenção, também é importante conhecer os direitos dos condutores quando o carro avaria após uma reparação.

O frio estraga o AdBlue?

O AdBlue congela aproximadamente aos -11 ºC, mas isso não significa que fique inutilizado. Depois de descongelar, recupera as suas características.

A Yara recomenda que as embalagens sejam guardadas fechadas, protegidas da luz solar e, idealmente, entre os 0 e os 30 ºC. Os próprios automóveis podem contar com sistemas de aquecimento destinados a descongelar o líquido.

Vale a pena comprar um carro com AdBlue?

O AdBlue, por si só, não deverá ser motivo suficiente para excluir um automóvel a gasóleo. Numa utilização normal, o custo é reduzido e o condutor praticamente não nota o funcionamento do sistema.

A decisão deve depender principalmente da utilização que pretendes dar ao carro.

Tipo de utilização Opção que pode fazer mais sentido
Muitos quilómetros por ano e autoestrada Diesel com AdBlue
Viagens longas, carga ou reboque frequente Diesel com AdBlue
Percursos curtos e sobretudo urbanos Gasolina ou híbrido
Poucos quilómetros por ano Gasolina ou híbrido
Possibilidade de carregar em casa Elétrico

Se estiveres a comparar custos a longo prazo, também podes consultar esta análise sobre um carro elétrico que ficou mais barato do que um diesel ao longo de 400 mil quilómetros.

O que verificar antes de comprar um diesel usado

Antes de comprares, confirma:

  • Se existem avisos relacionados com o AdBlue no painel;
  • Se o histórico apresenta substituições do depósito, da bomba ou de sensores;
  • Se o nível indicado pelo computador muda depois de um atesto;
  • Se existem campanhas ou coberturas especiais para o modelo;
  • Se todas as revisões foram realizadas nos prazos indicados pelo fabricante;
  • Se o preço pedido já considera eventuais reparações necessárias.

Um histórico de manutenção completo é particularmente importante. Existem erros de manutenção que podem comprometer a garantia do fabricante.

Afinal, o AdBlue é um problema?

Na maioria dos automóveis, não. O sistema funciona automaticamente, o líquido custa pouco e o seu consumo é reduzido.

As verdadeiras dores de cabeça aparecem quando o condutor deixa o depósito esvaziar, utiliza um produto contaminado, coloca o líquido no depósito errado ou compra um automóvel com uma falha conhecida no sistema.

Antes de comprares um diesel usado, o mais importante não é apenas perguntar se utiliza AdBlue. É verificar o histórico, procurar mensagens de erro e confirmar se o modelo está abrangido por alguma campanha ou cobertura especial.

Miguel Vieira
Miguel Vieira
Miguel Vieira é colaborador no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.