
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Ecrãs | Principal AMOLED LTPO 8", 120 Hz, 3.000 nits; Exterior AMOLED LTPO 6,5", 120 Hz, 3.000 nits; |
| Processador | Snapdragon 8 Elite Gen 5 |
| Câmaras | 200MP+50MP+10MP; frontal 10MP |
| Bateria | 5.000 mAh; carregamento com fios de 45 watts |
| Certificação | IP48 |
Este ano, a Samsung foi generosa no segmento de smartphones dobráveis com três novos modelos à escolha do utilizador. Como habitualmente, temos o jovem e divertido Galaxy Flip8, o novo e inovador Galaxy Fold8 e o já conhecido Galaxy Fold8 Ultra que este ano ganho um “apelido” para se distinguir do novo elemento da família. Cada um chega com argumentos diferentes e passei as duas últimas semanas com o Fold8 Ultra para o conhecer pessoalmente e perceber quais são os seus atrativos face aos “irmãos”.
Design e conforto na utilização

À primeira vista, o Galaxy Z Fold 8 Ultra parece praticamente idêntico ao antecessor. As câmaras, os botões e as dimensões mantêm-se essencialmente inalterados, assim como a certificação IP48 de resistência à água e poeiras. Ainda assim, existem alguns refinamentos importantes: as extremidades são agora ligeiramente mais arredondadas, tornando o smartphone mais confortável de segurar face às extremidades mais afiadas do Galaxy Z Fold 7.
A Armor FlexHinge também foi melhorada e surge inspirada na dobradiça do Galaxy Z TriFold. O novo mecanismo requer menos pressão para abrir o smartphone e recorre a ímanes para tornar o movimento mais suave e fácil, numa alteração que, apesar de discreta, faz diferença na utilização diária. Ainda que as alterações sejam subtis, foram certeiras. O Fold8 Ultra é mais confortável e fácil de utilizar no dia a dia do que o seu antecessor.
Ecrãs

O Galaxy Z Fold 8 Ultra conta com um ecrã principal interno Dynamic AMOLED 2Xde 8 polegadas, com resolução de 2504 × 2256 pixéis, e um painel exterior Dynamic AMOLED 2X de 6,5 polegadas, com resolução de 2520 × 1080 pixéis. Ambos suportam taxa de atualização adaptativa de 120 Hz e atingem um brilho máximo de 3.000 nits, embora apenas o painel interno seja compatível com HDR10+.
Uma das principais novidades está no novo revestimento antirreflexo do ecrã interno, desenvolvido para reduzir os reflexos visíveis. A tecnologia também ajuda a tornar menos percetíveis as ondulações provocadas pela dobra central, tornando a experiência de utilização mais agradável, sobretudo em ambientes com muita luz.
Na prática, o painel interno oferece uma imagem nítida, brilhante e fluida, com até 120 Hz quando necessário. No entanto, o formato alongado continua a apresentar algumas limitações para consumo de vídeo e jogos: conteúdos com proporções diferentes podem apresentar barras pretas ou exigir cortes significativos para preencher todo o ecrã. A experiência de visualização é melhor do que nos ecrãs convencionais não dobráveis, disso não há dúvida, por termos um espaço de visualização maior. Mas as barras pretas densas e grandes em alguns conteúdos atrapalham e obrigam a um período de adaptação. No final do teste, já não me incomodavam tanto.
O Galaxy Z Fold8 Ultra conta com suporte para áudio espacial Dolby Atmos e isso faz diferença. A qualidade de som entregue é superior a outros modelos e brilha, sobretudo, na reprodução de séries e filmes, com as vozes a saírem nítidas e claras. Com música, a qualidade também é boa, mas num volume mais elevado, perde profundidade.
Desempenho e software

O Fold8 Ultra faz justiça ao nome no que diz respeito ao desempenho. No interior, está o chip de última geração Snapdragon 8 Elite Gen 5 que, nesta versão de teste, está aliado a 12 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento interno. Qualquer tarefa é desempenhada em modo acelerado, fluido, suave e eficaz. Podes abrir várias apps em janelas simultâneas e, ainda assim, este Ultra não perde o fôlego.
Dá-lhe os jogos mais exigentes e ele não se “engasga” e, de forma positiva, também não aquece a um nível preocupante. É extraordinário no sentido que todos os componentes arrumados cirurgicamente num corpo de 4,1 mm, quando aberto, conseguem beneficiar do sistema de refrigeração incluído. Há que dar também mérito ao chip Qualcomm, e claramente, a Samsung fez e faz uma boa escolha ao incluí-lo neste dobrável topo de gama. Portanto, sejamos claros, em desempenho as 5 estrelas estão asseguradas.
O Galaxy Z Fold 8 Ultra foi um dos modelos que estreou a interface One UI 9, baseada em Android 17. A nova versão da interface mantém a familiaridade das gerações anteriores, mas introduz algumas funcionalidades inteligentes baseadas no Gemini, incluindo opções de automação de aplicações que até agora estavam associadas sobretudo aos equipamentos Pixel. Os recursos Galaxy IA também estão todos presentes e funcionam eficientemente; neste campo, é seguro dizer que a Samsung já provou o seu know-how face à sua rival mais direta Apple.
A Samsung continua também a tirar partido do formato dobrável através do Modo Flex, que permite abrir parcialmente o smartphone e utilizar a metade inferior do ecrã como um touchpad para navegar, clicar ou ampliar conteúdos. É, sobretudo, útil em termos de produtividade. De resto, o Galaxy Z Fold8 Ultra está abrangido por sete anos de atualizações de software e segurança, o que lhe garante a longevidade no tempo e pode justificar o preço “salgado”.
A Samsung reforça ainda a aposta na longevidade ao garantir sete anos de atualizações do sistema operativo e de patches de segurança, tornando o dobrável numa opção pensada para quem pretende manter o equipamento durante vários anos.
Pontuação Geekbench 7
CPU: Single core 2859 Multi core 6268
GPU: 15052
Câmaras

Agora vamos à fotografia. O Fold8 Ultra mantém o sensor principal de 200 megapixéis e a e a teleobjetiva de 10 megapixéis; mas agora conta com um sensor ultra grande angular de 50 megapixéis. Aqui estamos perante uma atualização concreta e palpável de hardware que, além de bem-vinda, é mais uma justificação para o preço e também para o nome Ultra. O sensor principal continua a entregar bons resultados e a nova ultra grande angular não lhe fica atrás. A teleobjetiva mantém a limitação do zoom ótico de 3x que podia e devia ser melhorado.

À semelhança do que acontece com o OPPO Find N6, o Galaxy Z Fold8 Ultra é um bom smartphone para a fotografia, mas não consegue igualar-se a rivais não dobráveis que são mestres neste campo. Aliás, a fotografia, até agora, tem sido o calcanhar de Aquiles dos dobráveis; percebe-se a razão: em nome da espessura elegante, os sensores integrados pecam por ser mais pequenos e, consequentemente, não deixarem entrar tanta luz.



As imagens captadas por este Fold8 Ultra têm um bom nível de detalhe, cores reais, ainda que pudessem ser um pouco mais vívidas. Confesso que o formato necessita de uma curva de aprendizagem para o momento de o “sacarmos” para disparar; sobretudo, se o quisermos abrir para enquadrar o momento num ecrã maior. Acabamos por ficar com um mini tablet na mão, o que necessita de alguma habituação para aperfeiçoar o jeito. A câmara frontal cumpre com o essencial, ou seja, resultados sólidos que podem não deslumbrar as redes sociais, mas têm a qualidade necessária e pragmática para responder às necessidades de rotina.
Contas feitas, entrega bons resultados que podem ser emoldurados, mas não são capazes de dar capas de revista deslumbrantes. É um compromisso mais que compreensível tratando-se deste formato, mas pode afastar os utilizadores que dão prioridade à fotografia ou querem uma câmara semi-profissional pelo investimento feito.
Bateria e carregamento

A Samsung finalmente reforçou a autonomia do Galaxy Z Fold 8 Ultra, adotando uma bateria de silício de carbono e aumentando a capacidade de 4.400 mAh da geração anterior para 5.000 mAh. Aliás, esta bateria é em parte de silício de carbono, com a Samsung a não confirmar qual a percentagem da unidade que conta com esta tecnologia.
A mudança responde a uma das principais limitações das anteriores gerações do dobrável: a autonomia podia ficar aquém das necessidades dos utilizadores mais exigentes, sobretudo num equipamento pensado para produtividade e multitarefa. A nova capacidade não coloca o Fold 8 Ultra entre os smartphones com maior bateria do mercado, mas representa uma melhoria significativa no uso diário. Dura à vontade um dia inteiro, mesmo com uso intensivo.
O carregamento também recebeu um importante impulso. O Fold 8 Ultra suporta carregamento por cabo até 45 W, carregamento sem fios até 20 W e carregamento sem fios inverso a 4,5 W. Agora com fios uma carga completa demora cerca de uma hora, o que é uma atualização face à geração anterior. Saúdo a adoção de uma bateria de silício de carbono e de capacidade maior, afinal este dobrável já o merecia há muito tempo. Ainda para mais ganhando agora o apelido de Ultra.
Para quem é o Samsung Galaxy Z Fold8 Ultra?
O renomeado Galaxy Z Fold8 Ultra é a escolha ideal para:
- Quem precisa de um smartphone direcionado para a produtividade e multitarefa;
- Utilizadores que querem ter um ecrã maior à la tablet num smartphone;
- Quem precisa de desempenho de topo, seja no trabalho ou no lazer;
- Utilizadores adeptos do formato dobrável que privilegiam uma construção robusta com dobradiça melhorada.
Não é uma opção para quem tem orçamentos mais humildes ou para quem procura um smartphone profissional na fotografia.
Conclusão

O Galaxy Z Fold 8 Ultra é, acima de tudo, uma evolução muito bem afinada de um conceito que a Samsung já domina. Não revoluciona o formato, mas melhora alguns pontos que importam no dia a dia: é mais confortável, tem ecrãs excelentes, desempenho de topo, software cada vez mais adaptado ao formato dobrável e, finalmente, uma bateria de 5.000 mAh que permite chegar ao fim do dia sem a preocupação constante com a autonomia.
A nova ultra grande angular também representa um avanço importante nas câmaras, embora a fotografia continue a não estar ao nível dos melhores smartphones tradicionais, sobretudo quando falamos de zoom.
Pelo lado menos positivo, as barras densas no ecrã e o calcanhar de Aquiles que é a fotografia para os dobráveis podem afastar utilizadores. Sobretudo, o preço salgado que, em Portugal, começa nos 2.269,90 €, pode ser um impedimento crucial para o seu sucesso. Este não é um smartphone acessível a todas as carteiras.
Ainda assim, para quem procura um smartphone que possa transformar-se num pequeno tablet, quer produtividade, multitarefa e desempenho sem compromissos, o Fold8 Ultra cumpre a promessa do nome Ultra. Não é uma revolução, mas é uma versão mais madura e equilibrada desta fórmula dobrável da Samsung.
