Os meses de verão são tradicionalmente os meses em os power banks têm mais procura. A razão é óbvia: é a altura em que mais gente viaja de avião.
O problema é que muita gente só descobre as regras sobre os carregadores portáteis já no controlo de segurança do aeroporto quando já é tarde demais... Recentemente noticiámos também o caso de um voo da Easyjet que teve de ser desviado por culpa de um destes equipamentos.
A confusão começa logo na etiqueta. A maioria dos power banks indica a capacidade em miliampere-hora (mAh). No entanto, esta não é a unidade que as companhias aéreas e as normas internacionais de aviação usam para decidir o que pode ou não entrar num avião.
Assim sendo, o critério é o watt-hora (Wh) que representa a energia total armazenada e não apenas a capacidade elétrica bruta.
Para saber quantos Wh tem um determinado valor de mAh, a fórmula é simples. Multiplica-se a capacidade em mAh pela voltagem da bateria, tipicamente 3,7 volts nas baterias de iões de lítio usadas em power banks, e divide-se o resultado por mil.
O que é permitido (e o que não é)
Um power bank de 20.000 mAh tem cerca 74 Wh e, como tal, está dentro do limite permitido, que é de 100 Wh.
Já um modelo de 30.000 mAh ultrapassa os 100 Wh, entrando numa zona intermédia (até 160 Wh) onde já é preciso autorização prévia da companhia aérea antes de embarcar.
É importante perceber que estas regras são as normas internacionais de aviação civil, definidas pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) e seguidas pelas companhias aéreas em praticamente todo o mundo, incluindo em Portugal.
A TAP segue esta lógica. Assim sendo, até 100 Wh, o power bank viaja sem qualquer problema na bagagem de mão. Entre 100 e 160 Wh, o passageiro pode levar até dois power banks, mas precisa de aprovação prévia da companhia antes do voo.
Acima de 160 Wh, o transporte deixa de ser permitido, seja em bagagem de mão ou despachada.
Power banks nunca podem ir no porão
Esse último ponto merece atenção redobrada: power banks nunca podem ser despachados na bagagem de porão, independentemente da capacidade.
A regra existe porque, em caso de sobreaquecimento ou curto-circuito durante o voo, a tripulação precisa de acesso imediato ao dispositivo, algo impossível de garantir no porão da aeronave.
Como acrescenta a companhia portuguesa, os power banks também não podem ser usados nem carregados durante o voo. Além disso, os terminais devem estar cobertos, seja com a embalagem original, seja com fita isoladora. Isto para evitar contacto acidental com chaves ou moedas dentro da mala.
No fundo, que a maioria dos power banks de uso diário, geralmente entre 10.000 e 20.000 mAh, podem entrar no avião sem qualquer restrição.
