A FCC (Comissão Federal de Comunicações), a entidade reguladora das comunicações nos EUA, adicionou a 28 de julho os "dispositivos robóticos avançados" à sua lista de equipamentos estrangeiros proibidos, segundo a Engadget.
A definição é propositadamente larga: qualquer robô controlado por software, com mais de dois quilos, que percecione o ambiente ao seu redor e transmita sinais sem fios. Um aspirador robô moderno cumpre todos estes critérios sem esforço.
Porque é que os EUA estão preocupados
A justificação oficial é a segurança. Um aspirador robô moderno mapeia a tua casa em detalhe, tem câmaras, microfones em alguns modelos, e está permanentemente ligado à internet e à cloud do fabricante.
Segundo o Gizmodo, o governo americano argumenta que estes dispositivos são uma porta de entrada para recolha de informação sensível sobre o interior das casas dos cidadãos, e que essa informação pode chegar a entidades estrangeiras.
O argumento não é novo. A mesma lógica foi usada para banir routers chineses na primavera de 2026, e antes disso câmaras de vigilância e drones. A diferença agora é que o alvo é um produto que a maioria das pessoas não associa a riscos de segurança.
O mercado está quase todo nas mãos de marcas chinesas
E esse é o ponto mais revelador de toda esta história. Segundo a Technology.org, a China detém uma quota de mercado esmagadora no setor. As cinco marcas mais vendidas globalmente, Roborock, Ecovacs, Dreame, Xiaomi e Narwal, são todas chinesas.
A Roomba, que durante anos foi sinónimo de aspirador robô e se vendia como marca americana, já não é americana. A iRobot entrou em colapso financeiro, foi adquirida pela chinesa Shenzhen Picea Robotics, e agora está também abrangida pela proibição, segundo o RocketNews.
O Dreame X50 Ultra Complete é atualmente o aspirador robô mais bem classificado nas nossas análises. Além disso, os melhores aspiradores robô para comprar em 2026 é maioritariamente composta por modelos de marcas chinesas.
O que muda para quem tem um destes em casa
Nada, por enquanto. A proibição americana não tem qualquer efeito legal em Portugal ou na Europa. Quem tem um Dreame, um Roborock ou um Xiaomi em casa pode continuar a usá-lo normalmente. As atualizações de software vão continuar, o suporte também.
O que pode mudar a médio prazo é a estratégia das marcas. Se os EUA fecharem definitivamente a porta a novos modelos, as empresas chinesas vão focar ainda mais o desenvolvimento e o lançamento de produtos para a Europa e para a Ásia.
Isso pode até ser positivo para o consumidor europeu, com mais modelos disponíveis e preços mais competitivos.
Há um argumento que não convence
Os dispositivos já existentes não representam um risco de segurança suficiente para serem retirados, porque é que os novos representam? A resposta honesta é que a medida tem tanto de política comercial quanto de preocupação com a privacidade.
Os EUA têm estado sistematicamente a retirar eletrónica chinesa do seu mercado, categoria a categoria, e os aspiradores robô eram a próxima da fila.
