Os CTT fecharam o primeiro semestre de 2026 com um lucro de 12,9 milhões de euros, o que representa uma queda de 41,6% face ao mesmo período do ano passado. A empresa atribui este recuo aos custos associados à conclusão do negócio com a DHL, aos encargos de reestruturação ligados a medidas de eficiência no segmento Correios e Serviços e à pressão criada pelo novo contexto regulatório europeu.
O segundo trimestre foi particularmente afetado pela atividade de desalfandegamento da subsidiária espanhola Cacesa. Em causa está a nova taxa de três euros aplicada pela União Europeia, desde 1 de julho, a encomendas de valor inferior a 150 euros provenientes de fora da região.
Segundo os CTT, esta mudança está a provocar uma reorganização do mercado europeu, levando plataformas chinesas de comércio eletrónico a deslocarem parte da sua logística para países do leste europeu (via ECO).
Esta nova taxa aduaneira da UE atinge em cheio o modelo de negócio de plataformas como a Temu, a Shein e a AliExpress, que dependiam da isenção para encomendas de baixo valor vindas de fora do espaço europeu.
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O "contexto" atual que é mencionado pelos CTT
No comunicado de resultados, a empresa refere um “contexto regulatório desafiante que está a conduzir a volatilidade em todo o setor” e anuncia medidas de proteção, incluindo a “redução da força de trabalho nas geografias” da Cacesa.
Face a esta turbulência, que os CTT consideram temporária, o grupo reviu em baixa o guidance para 2026. O resultado operacional recorrente deverá situar-se entre 115 e 125 milhões de euros, quando anteriormente a empresa apontava para pelo menos 125 milhões.
Ao mesmo tempo, os CTT decidiram reforçar o programa de recompra de ações próprias em mais dez milhões de euros, elevando o montante total para 40 milhões. O objetivo é aproveitar a “volatilidade anormalmente elevada” do mercado para adquirir e extinguir ações próprias. O programa, iniciado em fevereiro, prolonga-se até abril de 2027.
Em termos operacionais, o EBITDA caiu 3%, para 82 milhões de euros, e o resultado operacional recuou 17,2%, para 30 milhões. As receitas, porém, cresceram 12,9%, para 674,3 milhões de euros, impulsionadas pela consolidação da Cacesa e da DHL Parcel Portugal.
O segmento de Soluções de Comércio Eletrónico manteve uma forte dinâmica, com receitas a subirem 29,6%, para 343,6 milhões de euros, sustentadas pelo crescimento das entregas ao domicílio, cacifos e pontos de conveniência.
Já o Banco CTT continuou a ganhar peso no grupo. As receitas aumentaram 8,1%, para 74,1 milhões de euros, os depósitos cresceram 11,9%, para 4.605,6 milhões, e o crédito subiu 16,4%, para 2.247 milhões de euros.
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