Exportações de bens são os produtos que Portugal vende ao exterior. Quais são eles? Há também as exportações de serviços, onde o turismo assume destaque. As exportações portuguesas vêm registando aumentos sucessivos, mas como anda a nossa balança comercial? Saiba do que falamos.

O que Portugal mais exporta? 

Minérios e metais, máquinas, químicos e borrachas, produtos agro-alimentares e material de transporte respondem por mais de 70% das exportações portuguesas. A estrutura das exportações portuguesas de bens tem-se mantido relativamente estável ao longo dos últimos anos.

Em 2021, dados preliminares da Pordata, apontam para vendas ao exterior de cerca de 63,5 mil milhões de euros, com aquelas 5 categorias com um peso de 2 dígitos no valor total das exportações:

A confirmarem-se os dados, 2021 será o melhor ano de sempre das exportações portuguesas de bens. Até agora, o recorde tinha sido atingido em 2019, com 59,9 mil milhões de euros.

Há algumas diferenças em 2021 face a 2019. Subiu o peso das máquinas (14,3% contra 13,9%), dos químicos (13,8% vs 12,6%) e do agro-alimentar (13,2% vs 12,2%). A variação mais significativa é a descida do peso da categoria de materiais de transporte (13,2% vs 16,4%):

Evolução das exportações portuguesas desde 2000

Em 2000, Portugal exportava bens no valor de 27 mil milhões de euros. De lá para cá o crescimento nominal registado foi de 133%, ou seja, o valor das exportações mais do que duplicou:

E o que exportávamos em 2000? A hierarquia era diferente, com maior peso de setores de vestuário e calçado, madeira, cortiça e papel, peles, couros e têxteis, e máquinas, face ao que se verifica em 2021. Do lado oposto, estão as categorias de minérios, químicos e agro-alimentar:

Para onde exporta Portugal?

Portugal mantém os seus parceiros comerciais centrados na União Europeia e, fora dela, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Os "outros" representam pouco, cada um deles. Nos últimos 4 anos, a evolução das exportações pelos principais países de destino é a seguinte:

O comércio intracomunitário é responsável por cerca de 70% das transações. Em termos de exportações, os principais destinos têm-se mantido, com a Espanha como parceiro destacado. Em 2021, o vizinho ibérico representava 26,7% do total exportado, a França 13%, a Alemanha 11%, a Itália 4,5% e os Países Baixos perto de 4%. Fora da União Europeia, o principal destino são os Estados Unidos (5,6%). O Reino Unido representava 6% em 2020.

É importante exportar? Será suficiente? Como andam as importações portuguesas?

Periodicamente, somos informados pelos meios de comunicação social sobre o andamento das exportações portuguesas. Isso coincide normalmente com a divulgação dos dados do Instituto Nacional de Estatística. A trajetória é ascendente, como vimos (com exceção do ano atípico de 2020) e isso é positivo. Mas será suficiente? Como está realmente a balança comercial portuguesa e em que medida isso é importante para a nossa riqueza?

A ótica da despesa é uma das formas de medir o que um país produz internamente, o produto interno bruto (PIB), durante um determinado período.  

Ora, o PIB a preços de mercado, na ótica da despesa, corresponde a:

Consumo privado (famílias e empresas residentes) +  consumo público (Estado e organismos públicos) + investimento + exportações de bens e serviços -  importações de bens e serviços.

Ou seja, uma das componentes do PIB será "+ exportações - importações". Esta parcela é o saldo da nossa balança comercial:

  • se as exportações são superiores às importações, temos um saldo positivo ou excedente comercial: essa parcela acresce às outras componentes do produto;
  • se as importações são superiores às exportações, temos um saldo negativo ou défice comercial: a parcela negativa abate ao valor do produto, "fazendo-o diminuir".

A balança comercial tem duas componentes, a dos bens e a dos serviços.

Este artigo focou-se nos bens. Falámos de produtos exportados. E a balança comercial de bens é estruturalmente negativa. Portugal compra mais ao exterior do que vende. Tem um défice comercial. 

Nos serviços, assentes no turismo (venda de turismo a um não residente é exportação), a balança comercial tem sido positiva. Aliás, em crescimento nos últimos anos (com exceção, naturalmente, dos 2 últimos).

Mas como fica a balança comercial, considerando ambas as categorias, os bens e os serviços?

Nos últimos anos, tivemos um saldo positivo da balança comercial assente na exportação do turismo. O despertar deste setor é evidente após o pedido de ajuda financeira externa de Portugal em situação de bancarrota (2011).

E é o turismo que tem sustentado os crescentes superavits da balança de serviços e contribuído para que, ainda que de forma ténue, a balança comercial (global) tenha sido positiva desde então.

Nos anos de pandemia, a quebra do turismo veio mostrar como Portugal é dependente dele. A balança de serviços não conseguiu compensar a estruturalmente deficitária balança de bens. E voltamos ao deficit da balança comercial (-3,9 e -5,6 mil milhões, respetivamente):

Consulte também As 25 maiores potências mundiais da atualidade, constate como a vocação exportadora faz parte da estratégia e o perfil "global" é comum a muitas delas. E tire as suas conclusões. 

Paula Vieira
Paula Vieira

Economista pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. É consultora em processos de fusão e aquisição de empresas, finanças e gestão.