Dicas simples de uma economista pragmática: poupança para uma melhor reforma, para uma situação de desemprego ou para aquela viagem ou aquele objeto de desejo. Afinal, viver também é isso, encontrar o equilíbrio é a grande questão. Ter um objetivo de poupança é o que nos ajuda a poupar.

Percorremos aquelas despesas do dia-a-dia, aquelas coisinhas que variam todos os dias e que temos mais dificuldade em controlar, e damos-lhe algumas pistas de poupança. Vamos lá.

1. Poupar umas moedas por dia: sabe o bem que lhe fazia?

Antes de tudo o mais, já parou para pensar o que significa poupar alguns cêntimos ou euros por dia, por semana ou por mês? Antes que pense "isto não vai resultar", veja a seguinte matriz de poupança com alguns exemplos que dão que pensar:

Ou seja:

  • 50 cêntimos por dia, dão-lhe cerca de 180€ ao fim de um ano e 365€ ao fim de 5 anos;
  • se é fumador e deixar de fumar, considerando um custo de 5€/dia, guarde os 5€, ao fim de um mês terá 150€ no mealheiro, 1.825€ ao fim de 1 ano e mais de 9.000€ ao fim de 5 anos (!);
  • se, por semana, conseguir juntar 10€, reduzindo nos cafés tomados fora (menos 1 café por dia são menos 7€ / semana), ou eventuais revistas, e com algum cuidado no supermercado, tem mais de 500€ no final do ano e cerca de 2.600€ ao fim de 5 anos;
  • se reduzir ao número de vezes que toma o pequeno almoço, almoça ou janta fora, facilmente poupa, no mínimo, 50€ por mês, que serão cerca de 600€ no final do ano, 3.000€ ao fim de 5 anos;
  • se, no final do ano, ou em algum momento do ano, recebe algum dinheiro extra, ponha uma parte de lado, separe 500€ e terá 2.500€ ao fim de 5 anos.

Em resumo: uns trocados a pesar na carteira podem ser poupança: 2€ / dia são 730€ no final do ano.

2. Liste as suas despesas para as conhecer e controlar

Antes de começar a poupar e independentemente do seu objetivo de poupança, há que saber quanto gasta. Sabe? Ter uma ideia de gastos é muito comum, mas poucos sabem, com pequena margem de erro, quanto efetivamente gastam por mês.

Não é possível controlar o que não conhecemos. Há que saber, antes de tudo, onde gastamos e como gastamos. Por isso, a primeira coisa a fazer será listar as despesas e, prepare-se, provavelmente vai ficar assustado.

  • liste as despesas fixas mês a mês, o grande bolo, uma a uma: luz, água, telefone, TV, internet, condomínio, renda, prestação da casa, do carro.....;
  • acrescente outras despesas que tenha, quase fixas, se faz x jantares fora por mês, cabeleireiro, barbeiro, lavagem do carro (se paga por isso), etc, etc;
  • some cada mês e some os totais anuais.

E agora, quanto é que isso representa do rendimento que entra todos os meses? 40%? 50%? 60%? Há folga suficiente para para as despesas variáveis? E para uma emergência? 

Preparamos um excel, pronto a usar, para a sua lista de despesas. Pode combiná-la com os rendimentos auferidos em cada mês, de modo a ter um orçamento familiar, mais simples ou mais elaborado, no artigo Controle as suas despesas mensais com um mapa em excel.

Em resumo: se listar despesas e rendimentos, vai saber onde e quanto pode poupar, seja para uma salvaguarda seja para um objeto de desejo.

2. Alimente o mealheiro 

Ora, não basta gastar menos, comer em casa, poupar no supermercado, não comprar uma revista ou tomar 3 cafés fora em vez de 4. A cada momento que corta na despesa pare e pense: quanto é que ia gastar? 1 euro? 5 euros? 20 euros? Coloque-os de imediato longe da vista:-)

Guarde também as moedas "pretas" que vão aparecendo pela casa e nos bolsos de todos.

A solução, um mealheiro opaco. Vá-lhe tomando o peso, mas não veja o que está lá dentro. Se nada acontecer de grave, ou não pretender aplicar o dinheiro, abra-o nunca antes de decorrido um ano. Se a sua poupança visava uma compra especial no final de determinado período, abra o mealheiro nessa altura.

Em resumo: coloque a poupança diária a salvo, apenas 1€ por dia engorda o seu mealheiro em 365€ por ano.

3. Ordenado: saque-lhe a poupança à cabeça 

Desengane-se se pensa que, a meio, ou no fim do mês, vai à sua conta pôr de lado uns trocados. Se calhar está a pensar que é capaz ou que já fez isso. Será? Não se esqueceu em nenhum dos meses? Acredite, resulta se o fizer no dia em que o ordenado lhe é creditado. Não tem que ser uma fortuna, é um montante à sua medida, que saiba que aguenta todos os meses. Defina uma saída automática no dia do ordenado.

E agora está-se a perguntar: e ponho onde? O dinheiro não rende nada no banco nos dias que correm! Pois não. Mas certamente "rende" lá mais do que nas nossas mãos. Basta que não esteja visível na conta à ordem. Se tiver uma qualquer aplicação, faça reforços automáticos todos os meses, ainda que de pequeno montante. 

Esta poupança funciona em paralelo com o nosso mealheiro, sempre que possível.

Em resumo: assegure uma poupança, com uma saída automática e imediata do seu ordenado, todos os meses.

4. Cafés e pequenos-almoços fora: passe-os para dentro

Qualquer bom português adora um bom café. A bica ou o cimbalino bem tirado, com ponta, sem ponta, curto, médio ou cheio, chávena fria ou escaldada, curto, quente e cremoso, há para todos os gostos. E parece que café na medida certa, não faz mal à saúde.

Café e trabalho são verdadeiros aliados. Estimulam-nos e acordam-nos, há quem diga. Mas também há quem funcione sem café. Café a mais não parece aconselhável, 4 ou, para alguns 3, já parece demais.

Se um café custar 80 cêntimos, cortar um são 24€ /mês para o mealheiro, 288€ ao fim de um ano. Se custar 1€, são 365€ ao fim de 1 ano. Que lhe parece?

E agora, vamos aos pequenos almoços. Almoçar fora de casa é, muitas vezes, uma necessidade, mas no que toca a pequeno almoço já não é assim. Preguiça? Falta o pão fresco? São muitos na cozinha? Para si e para os seus filhos, certamente a qualidade até vai melhorar, se o fizer e tomar dentro de casa:

  • Se comia fora por causa de algum "bolinho", comece a comer "dentro" e corte o "bolinho", açúcar não lhe dará a energia necessária e não contribui para a sua saúde.
  • Se adora sumo de laranja (que leva cerca de 3 laranjas), opte por uma laranja (mais fibra e o seu fígado sofre menos). Deixe-a descascada no frigorifico no dia anterior, num recipiente de vidro fechado.
  • Se gosta de pão, compre pão 1/2 vezes por semana e congele. Antes de ir dormir tire para fora. No dia seguinte, está como fresco mas, se preferir, torre.
  • Se gosta de cereais, aquelas bombas calóricas que nos deixam cheios de fome ao fim de uma hora, troque por aveia (um pacote de aveia pode custar pouco mais de 1€, compare com os cereais). 
  • Se gosta de leite com café use a máquina de casa, para o café, ou uma cafeteira. Lembra-se das cafeteiras expresso de 1 café, 2, 4, que deixavam o cheirinho a café acabado de fazer pela casa toda? Pois, inspire-se.

Troque o dinheiro ou os "pacotes" de alimentos processados e cheios de açucares e outros males, por pão, fruta, leite, para os seus filhos levarem para a escola. Mais saudável e mais barato.

Em resumo: se tomar um pequeno almoço de 2,50€ em casa, terá 913€ a mais no seu orçamento anual.

5. A marmita está de volta: leve-a consigo

Se o seu trabalho não lhe permite ir almoçar a casa, essa é uma despesa que pesa no final do mês. Se almoçar por 5€, serão 150€ no final do mês. Porque não ponderar a marmita, pelo menos alguns dias na semana? Se forem 2 dias por semana, são 40€ no final do mês.

Levar uma refeição de casa pode parecer trabalhoso, logo pela manhã. No entanto, se o jantar do dia anterior for projetado a pensar na marmita do dia seguinte, tudo muda de figura. Em pelo menos 2 jantares da semana, opte por fazer a mais e deixe a sua marmita pronta para o dia seguinte. Se calhar até vai conseguir fazê-lo mais vezes.

No trabalho, faça a sua refeição e depois saia, tome um café fora e, depois, faça uma caminhada até a sua hora de almoço se esgotar. Esta será uma hora de almoço proveitosa, para a saúde e para a carteira.

Em resumo: escolha uma marmita fantástica, exiba-a no trabalho duas vezes por semana, e poupe mais de 500€ / ano.

6. Pense na ementa semanal e faça a lista de compras para uma ida ao supermercado

Se somar todos os seus talões de supermercado de um mês pode ficar surpreendido. A comida leva-nos centenas de euros por mês. Não dá para cortar, todos temos de comer. Mas também é verdade que as nossas opções (muitas vezes erradas) ditam a conta a pagar. E, nas opções erradas, estamos a atacar o orçamento familiar mas, muitas vezes, a nossa saúde. Pense nisto.

Como reduzir então esta elevada fatura mensal? Se seguir algumas delas, a fatura começa a descer:

  • Frequente supermercados pequenos. Deixe os supermercados com mais de 2.000 m2, onde a oferta é maior e mais seletiva, para dias especiais. Além do mais, grandes superfícies são fonte de stress acrescido-:)
  • Antes de sair para as suas compras da semana, projete o seu menu semanal, saiba de antemão o que vai comer. É isso que vai definir a sua lista no que toca a comida e nada mais.
  • Faça uma lista e limite-se à lista. Sem ela vai comprar o que precisa e também o que não precisa.
  • Equilibre marcas do distribuidor e marcas do fabricante: se é reticente quanto às marcas próprias (do distribuidor, ou também "marcas brancas"), vá experimentando. Ao fim de um tempo, vai  perceber que há coisas que não quer em marca branca, mas há outras em que não lhe faz tanta diferença. Mas no preço, a diferença será pesada. É evidente que para o produto ser mais barato, ele "perde" em algum lado face ao produto de marca. É a embalagem que é mais simples e menos atrativa (muitas vezes sem o "abre fácil"), é um determinado arroz que vem de Espanha em vez de vir da Guiana Francesa... há diferenças, mas se calhar, em alguns produtos, conseguimos viver com algumas delas. O meio termo pode ser a solução.

Em resumo: planeie, organize-se e fuja dos grandes espaços comerciais e verá que a sua fatura de supermercado vai descer.

Aproveite para poupar, também, repensando a sua alimentação:

  • Corte nos "pacotes": croissant em pacote, bolos em pacote, batatas fritas em pacote, bolachas, bolos e bolinhos, pão em pacote, sumos em pacote. Estas são coisas que pesam na fatura e muito mais na saúde. Os chamados processados, cheios de conservantes químicos para "aguentarem" no pacote, e de açúcar, quiçá o nosso maior inimigo.
  • Atenção às caixinhas, aos vácuos e afins: um frango inteiro sai-lhe mais barato que o frango às peças nas caixinhas. Se não quer um frango inteiro na caixinha, peça-o no talho cortado como pretende. Pato em vácuo, limpinho sem osso e sem gorduras. Muitíssimo mais caro que um pato inteirinho. Se gosta de arroz de pato, saiba que usar a sua gordura natural é imprescindível para um arroz de pato verdadeiramente saboroso. Bacalhau em saquinhos, congelado, compare com o preço de um bacalhau inteiro e com os infindáveis menus que este possibilita face ao "pacotinho".
  • Compre fruta e legumes da época: ao comprar fora de época "compra" também as longas viagens, muitas vezes de outras partes do planeta, a refrigeração e os tratamentos de conservação para que os produtos cheguem cá com "ar da época". Acresce que, para chegarem cá em boas condições, nomeadamente os frutos, são colhidos antes de estar maduros. Se e quando amadurecem, isso já acontece fora da planta. Ou seja, compra muito mais caro por um produto que, na maior parte das vezes, é de inferior qualidade. Compre cada coisa na sua época e, já agora, compre nacional, sempre que possível.

Em resumo: compre tradicional, nacional, fresco e inteiro, é mais barato, mais gostoso e mais saudável.

Compre fresco, go veg

7. Seja vegetariano uma vez por semana

Uma vez por semana, não coma nem carne nem peixe. 

Opte por quantos pratos de sopa quiser e por, por exemplo, por uma massa com legumes. Aproveite o que anda no frigorifico sem destino, antes que se estrague e vá parar ao lixo. Para que todos gostem e não torçam o nariz lá em casa, salteie todos os legumes que quiser em azeite e alho (couve, cenoura, bróculo, couve-flor, cogumelos, tudo o que houver) e depois de cozer a massa, passe-a também no azeite e alho. Vai ver que é um sucesso. 

Se puder, passe a dois dias na semana. Tudo vai depender da sua imaginação, do quão boas vão ser as sua receitas. "Traduzindo" aquele ditado, todos comem de tudo, é preciso é saber dar-lhes a volta :-)

Em resumo: troque peixe e carne por legumes e leguminosas e terá uma ementa menos trabalhosa e menos onerosa.

8. Um dia de gastos zero

Já sabemos que as despesas fixas da casa caem todos os dias ou todos os meses, mas as variáveis, como o nome indica, não. E é nessas que pode haver maiores poupanças. Está nas suas mãos implementar dias de despesa nula. Comece por um e logo se vê. Quiçá consegue dois dias na semana. Defina exatamente qual ou quais os dias da semana ou do mês. Faça com que isso se torne numa rotina, como tantas outras. Assinale na sua agenda o "Dia Zero".

Não esqueça, nada de compras e, comida e café, só em casa. Pode ter uma poupança de dezenas de euros num só dia.

Em resumo: faça jejum consumista intermitente e ponha de lado a poupança realizada.

mafalda

9. Reduza às contas e aos cartões: menos comissões, menos anuidades

Se fomos ao longo do tempo, na conversa do Banco A, do Banco B, do Banco C, que até nos apanhou no Shopping num dia de paciência, de repente temos 2 ou 3 contas bancárias. Será que precisamos delas?

Por partes, em alguma delas está domiciliada a nossa conta ordenado e, possivelmente, o empréstimo da casa ou do carro. Faz sentido. Se calhar, temos uma conta de despesas da casa, aquela onde caem as faturas todas e que provisionamos todos os meses para fazer face às despesas. Também pode, eventualmente, fazer sentido. Já vamos em 2 contas. Se cada uma delas tiver associados 1 cartão de débito e 1 de crédito, já temos 4 cartões.

Com os 4 cartões e as 2 contas vêm as anuidades e as comissões. Pondere se, efetivamente, as contas que tem são necessárias. E que tipo de conta tem? Quanto paga em comissões? Sabe o que é uma conta bancária de serviços mínimos? E uma conta base? Estas contas têm alguns requisitos, mas cobrem serviços básicos que muitas vezes são suficientes. Consulte o Banco de Portugal, em Serviços Mínimos - o que são e também Conta Base - o que é.

Consulte também as comissões dos bancos. Esteja atento aos bancos com formato mais digital, com uma estrutura mais leve que os bancos tradicionais, procedimentos mais simplificados e custos menores, logo menos e/ou menores comissões. Na página do Cliente Bancário do BdP experimente, o Comparador de Comissões, por instituição ou por serviço.

E agora consulte o seu extrato, sabe em que mês paga as anuidades? E quanto paga por cada cartão? Não haverá aí uns 15€/20€ que dava para poupar?

Em resumo: menos contas e cartões significam menor dispersão, maior controlo e menos fontes de despesa.

10. Dispense o cartão de crédito: ele significa que não tem dinheiro

Cartão de crédito significa que compra a crédito. Compra a crédito significa que vai ficar a dever ao banco o que gastou, mais os juros. Se compra a crédito é porque não tem dinheiro. Os bancos esfregam as mãos sempre que passa o cartão de crédito, especialmente se a sua opção de pagamento não é a 100%. Parcelando os pagamentos, então vai pagar juros. 

No 1º trimestre de 2021, a taxa máxima de juros praticável nos cartões de crédito, foi fixada pelo Banco de Portugal em 15,6%. Saiba que a maioria dos bancos pratica a taxa máxima, ou muito próximo dela.

Mas vejamos, em que situações se pode justificar o cartão de crédito? Aquelas em que, ainda que tenha dinheiro disponível, é obrigado a usar o cartão de crédito. Isso pode acontecer no pagamento de uma viagem, no check-in de um hotel, numa compra online, na subscrição de uma assinatura, de um serviço. 

Em compras, se usa o cartão de crédito, não é bom sinal. Se decide fazer uma compra de valor elevado com cartão de crédito, para o poder parcelar, também não é bom sinal. 

O cartão de crédito pode ser um aliado ou um grande inimigo, tudo dependendo da forma como se utiliza. Algumas pistas:

  • Cole um post-it ao seu cartão de crédito a dizer "Não tenho dinheiro". Dará jeito, sempre que pegar nele.
  • Não ande com o cartão de crédito na carteira. Deixe-o em casa. Afinal ele só serve para situações especiais ou de emergência, certo?
  • Não aceite se o seu banco pretender aumentar o plafond do seu cartão. Mantenha esse valor o mais baixo possível. Se tiver que o usar, quanto menos tiver, menos gasta.
  • Use-o tendo dinheiro, isto é, sabendo que é possível pagar o valor utilizado a 100% e não ficando sujeito aos juros.
  • Consulte o mercado e veja as melhores opções para cartão de crédito, se tiver mesmo que o ter.

Em resumo: reduza a utilização do cartão de crédito ou, se possível, não tenha um.

11. Não recorra a crédito pessoal para "puro" consumo

Bancos e outras sociedades de crédito dão-lhe crédito. Pode comprar eletrodomésticos a crédito, viagens e hotéis, jóias, computadores, telemóveis... a lista é infindável. Há também o crédito à habitação e o crédito pessoal. Também há o leasing ou o ALD, para a compra de automóvel. 

Em Portugal, onde a cultura da casa própria ainda está bastante enraizada, a compra de casa é encarada quase como "fazendo parte da vida". Sempre que é possível, na hora de casar, vem o empréstimo à habitação. Noutros países nunca foi assim, "ter casa" é visto como um entrave à mobilidade profissional, a um casamento que corre mal. Os filhos saem cedo de casa dos pais e vão para casa alugada.

Por cá, as gerações mais novas já iniciaram a mudança de mentalidade, no entanto, o processo tem sido travado pelos preços do arrendamento. Afinal, é preferível pagar uma prestação pelo que vai ser nosso, do que uma renda ainda maior por aquilo que não o será. Continua a ficar para segundo plano a flexibilidade pessoal e profissional inerente a uma casa arrendada.

Casa, carro, educação dos filhos ... e para que mais serve o crédito pessoal? Para uma "finalidade não específica"? Qual a necessidade que este dinheiro lhe permite colmatar? Puro fervor pelo consumo? Se analisar bem, se calhar pretende-o para uma banalidade. Questione-se antes de avançar.

Em resumo: procure terapia se o carro novo da vizinha lhe tira o sono.

12. Troque um passeio no shopping pelo ar livre

Se não tem nada que fazer e está a pensar ir dar uma volta no shopping, pense duas vezes. Estudos provam que dificilmente sai de lá sem uma comprinha. Passear num centro comercial é como ir ao supermercado sem lista! As necessidades nascem à medida que caminhamos. Shoppings e supermercados, todos eles, à sua maneira, são mestres a criar necessidades que não temos.

Por isso, troque o passeio no shopping por uma saudável caminhada ao ar livre. Num jardim ou à beira-mar. Regressa com a mente revigorada e o corpo agradece. A sua carteira também.

Se tem que mesmo que ir ao shopping fazer uma compra específica, vá com pouco tempo. Não reserve duas horas para o fazer. Vá diretamente à loja que precisa e volte. Opte por levar dinheiro vivo para a sua compra e deixe os cartões em casa. Afinal, para o que precisa, já leva dinheiro.

Em resumo: o que os olhos não vêm, a carteira não sente.

13. Saldos e promoções: não compre só porque está mais barato

Se é verdade que muitas vezes esperamos pelos saldos e promoções para comprar aquilo que realmente estamos a precisar, não é menos verdade que muitas vezes saímos "para ir ver os saldos". Se algo está com um desconto de 30%, 40% ou 50%, de facto, é vantajoso, mas só o é verdadeiramente se precisamos de comprar. 

Quando não precisamos de comprar, compras em saldos e promoções, devem ser encaradas como qualquer outra compra desnecessária. Afinal, se custava 50€ e agora custa 30€, custa 30€. Se custava 200€ e agora custa 100€, custa 100€.  Se não precisa, considere isso uma compra desnecessária no valor de 30€ ou no valor de 100€. 

Comprar nos saldos ou promoções é uma atitude avisada e poupadora se precisamos. Um ou dois meses antes do período de promoções, comece a ver o preço daquilo que precisa de comprar, para depois ter a certeza que há realmente descida de preço. Se não precisa, não compre só porque é saldo. 

Em resumo: uma compra em saldo é uma despesa tanto maior quanto menos precise dela.

14. Faça uma ronda na casa, obtenha uns euros extra

Todos nós temos pilhas de coisas que acumulamos ao longo do tempo e que já não usamos, são móveis, equipamentos, brinquedos dos nossos filhos, livros, roupa, calçado...Quem ainda não sentiu que ao entrar na arrecadação, está a entrar numa verdadeira quinquilharia?

Dê uma alegria aos seus armários e à sua arrecadação. Separe o que está em bom estado para venda. Faça uma doação também. É excelente para se sentir bem consigo próprio. Vai ver que o que tem dá para tudo.

Coloque as coisas para venda numa das várias plataformas de venda de usados. Tenha paciência, pode demorar, mas algo irá vender concerteza. É dinheiro extra.

Em resumo: o excesso está fora de moda, viva com o que precisa.

15. Se quer redecorar a sua casa, venda primeiro o que quer substituir

Nem todos temos espaço de sobra para guardar o que não usamos, muito menos móveis ou pequenos objetos decorativos.

Pois bem, se antigamente apenas tínhamos lojas físicas (e poucas) de usados, onde nos ofereciam quantias insultuosas pelos nossos móveis em bom estado, hoje o mercado de usados tem mais vida e conseguem-se fazer negócios razoáveis ou mesmo bons negócios. Quando pretender substituir algo, comece por vender o que não quer. À medida que vende, vá substituindo, o dinheiro da venda, por pouco que seja, ajuda na compra. 

Não tenha pressa, resolve o problema do espaço e ganha algum dinheiro por coisas que até estavam em bom estado, um tapete, uma mesa, um candeeiro...

Em resumo: sempre que possível, "faça"  dinheiro extra para as suas compras.

16. Antes de comprar, verifique os usados no mercado

Comprar usado ainda constitui, para algumas pessoas, um certo estigma. Desengane-se. Hoje em dia, todos vendem e todos compram em plataformas de usados. É que nem todos nós damos valor às mesmas coisas e, por isso, podemos encontrar verdadeiros achados a metade do preço, ou menos ainda.

Pense que há quem troque assiduamente. Muitas vezes, a venda não tem a ver com o desgaste, mas apenas com a vontade de trocar e o prazer de uma nova compra ou, ainda, por circunstâncias pessoais que obrigam à venda. Pode encontrar objetos de autor, equipamentos, roupa de marca, etc, etc. Se pretende uma peça de determinada marca, comece por pesquisar por essa marca, é possível que encontre. Se isso acontecer, imagine quanto pode poupar. Mas atenção, não esqueça de todos os cuidados necessários neste tipo de compras. Não se deixe enganar.

Em resumo: o mercado de usados é um mercado de oportunidades, onde pode poupar dezenas ou centenas de euros nas suas compras.

17. Desenvolva a sua "costela" de bricolage

Há tanta coisa na nossa casa que pode ser resolvida por nós. Se acha que tem algum jeito para o DIY, invista nisso e, quando tiver dúvidas, lembre-se que há tutoriais para tudo na internet. Quando chama um técnico para vir  a sua casa, o problema até pode ser simples, mas só o custo da deslocação pode deixá-lo chocado. Por vezes, é necessário a troca de uma peça de 10€, mas a deslocação custou 40€ (!).

Por isso, antes de chamar um técnico, pondere bem se não consegue resolver o seu problema sozinho. Afinal de que servem as várias malas de ferramentas que guarda na arrecadação?

Em resumo: rentabilize a mala de ferramentas que nunca usou, poupando nos pequenos arranjos domésticos.

18. Pense antes de comprar

Habitue-se a dar um tempo ao seu cérebro para processar uma compra, seja ela por impulso ou não. Estipule um prazo, pode ser uma semana, 3 dias, um período que seja suficiente para ponderar se realmente é necessário comprar ou, se tiver que ser, se não haverá uma oferta idêntica a um preço melhor.

Muitas compras ficam pelo caminho quando nos damos um tempo para pensar se realmente precisamos delas. Experimente.

Em resumo: não compre por impulso pois, bem vistas as coisas, pode até nem ser necessário e... vai poupar.

19. Consulte o mercado para ofertas alternativas de internet, telefone, televisão, água, luz, casa, seguros

Todos os meses chegam as despesas certas para pagar: água, luz, Tv, internet e telefone, seguros, prestação da casa, etc etc. Muitos destes fornecedores de serviços ou financiadores são encarados como entidades complicadas de lidar e mais fácil é, por exemplo, contratar um seguro, e esperar confortavelmente pelos prémios a pagar, uns atrás dos outros.

Mas desengane-se, com as devidas cautelas, tudo se pode mudar, para melhor. Negociar ou re-negociar com estes operadores de mercado não é fácil, e a inércia toma conta de nós. O mercado está aí para o consultarmos e ficarmos a saber qual a melhor oferta. Um esforço periódico, de 6 em 6 meses, uma ronda pelo mercado, pode poupar-nos dezenas ou centenas de euros.

Em resumo: internet, telefone, televisão, seguros.... não é um casamento para a vida, por isso habitue-se a consultar o mercado e melhore os seus serviços, na qualidade e no preço.

20. Cultura e educação para poupar: entre para o clube

Combater o despesismo e incitar à poupança deveria ser matéria escolar, logo a partir dos primeiros anos. Em complemento à educação dos pais no mesmo sentido. Poupar é cultural, faz parte da educação de um povo. 

Poupar à escala dos rendimentos de cada um nós, confere-nos maior segurança e maior bem-estar, dá-nos o conforto da chamada “almofada financeira”, uma segurança que permite olhar o futuro de forma mais positiva. Nada é garantido, como está fortemente provado.

Se já o fez, sabe que colocar dinheiro de lado lhe dá uma sensação de felicidade e de que está tudo controlado. É uma sensação boa! Poupar para aquele capricho caro, abrir o mealheiro e ver que a quantia já é suficiente, dá-nos o sentimento de objetivo cumprido!

Gastar sem uma preocupação de poupança, pelo prazer do presente, pode hipotecar o nosso bem estar futuro. É no auge das nossas energias que temos tudo ao nosso alcance para nos darmos um futuro confortável. Com equilíbrio, afinal estamos aqui para viver também.

Em resumo: quando poupar, vai sentir-se mais feliz.

Paula Vieira
Paula Vieira
Licenciada em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Experiência profissional em Banca de Investimento (corporate finance, fusões & aquisições e mercado de capitais), direção financeira e controlo de gestão. Atualmente presta assessoria financeira independente.