Competências de comunicação estão presentes na forma como ouvimos, falamos, partilhamos ideias, como damos e recebemos feedback, como enfrentamos um público, como usamos a linguagem corporal, como lidamos com um conflito, se somos simpáticos e empáticos.

Estas aptidões, que constam do formato europeu de curriculum vitae (Europass), são transversais a qualquer atividade e valorizam-no, por isso, em qualquer área de trabalho. Mostramos-lhe algumas e damos-lhe algumas dicas:

1. Comunicação não verbal

A comunicação não verbal é um conjunto de sinais que passamos aos outros e que recebemos dos que nos rodeiam através da designada "linguagem corporal". Os sinais de comunicação não verbal são atribuídos aos gestos, à postura, às expressões faciais que produzimos enquanto comunicamos com os outros.

Determinadas posturas evidenciam receio, nervosismo ou ansiedade enquanto outras são reveladoras de segurança e abertura. Numa conversa, por exemplo, uma postura de braços cruzados, pernas cruzadas, ombros contraídos opõe-se a uma postura ereta, elegante, de braços pousados em cima da mesa ou ao longo do corpo e pés afastados.

O sorriso enquanto falamos, uma voz bem colocada, a firmeza dos passos, um aperto de mão convicto, ou a forma como olhamos nos olhos, demonstram simpatia, confiança, segurança e fazem também parte de uma boa linguagem corporal.

Perceber a comunicação não verbal dos outros é uma qualidade, mas deve igualmente prestar atenção à sua própria linguagem corporal e ir corrigindo os pontos fracos. Evidencie o seu melhor, desde logo, numa entrevista de emprego ou numa apresentação/vídeo que acompanhe a sua candidatura. 

2. Escuta ativa

Esta é uma skill de comunicação relacionada com a linguagem corporal, mas que pode surgir autonomamente como requisito num anúncio de emprego. Pode ser uma característica fundamental para áreas como customer service, serviço social ou gestão.

Saber escutar, ou possuir uma escuta ativa, é ter a capacidade efetiva de concentração no orador e naquilo que ele nos transmite. Nenhuma comunicação é eficaz se não houver quem preste atenção ao que é dito, pelo que o bom comunicador é aquele que sabe falar, mas também sabe ouvir.

No local de trabalho, as pessoas que sabem escutar são normalmente bem vistas pelos seus colegas, já que é um sinal de respeito e demonstra concentração na mensagem que se está a receber. Esta aptidão fará os seus colegas sentirem-se valorizados. Um bom ouvinte está focado no seu interlocutor (e não se distrai com o computador ou o telefone), no conteúdo da mensagem, na sua linguagem corporal e na forma como fala.

3. Fluência oral e escrita e objetividade

Ter excelente fluência na comunicação oral e escrita deve ser sempre incluído em qualquer CV. Esta é uma competência transversal a qualquer função mas será também avaliada, desde logo, no seu processo de candidatura. Um currículo ou um vídeo que produza, serão auto demonstrativos destas suas qualidades.

Em determinadas situações, ou pelo tipo de função ou porque é um requisito, é claramente necessário evidenciá-las. Se, por exemplo, a função exige a escrita ou a revisão de relatórios, a preparação de determinados conteúdos ou apresentações, então o nível de escrita será determinante. Se, por outro lado, se está a candidatar a uma função em que vai interagir verbalmente com clientes e equipas de vendas, ou fazer gestão de equipas, a proficiência como orador será importante.

Ser objetivo, isto é, claro e conciso, é uma das características necessárias ao bom comunicador. Seja oralmente ou por escrito, a comunicação deve ser assertiva e concisa (ir direto ao ponto, sem rodeios que causem monotonia ao interlocutor e perda de foco na mensagem), ser clara e fácil de compreender. O mesmo se aplica ao seu CV, faça dele um exemplo da sua objetividade e da sua capacidade de escrita e/ou oralidade:

  • Seja claro e conciso em cada uma das secções do seu CV ou da sua carta de motivação, demonstrando a sua capacidade de escrita;
  • Use palavras assertivas e fáceis de processar (lembre-se que o seu processo é um entre muitos e os recrutadores têm pouco tempo para cada candidatura);
  • Se for exigido um vídeo ou se optar pela sua inclusão, use as mesmas técnicas na sua oralidade (inicie com algo original para prender e não se alongue, experimente expressar a sua motivação em 2 minutos, é possível, seja original, claro e objetivo, use um tom amigável e adequadamente projetado);
  • Reveja cuidadosamente o seu CV e outros documentos escritos: erros ortográficos ou typos não fazem parte de uma boa comunicação escrita, seja coerente na formatação do seu texto.

4. Simpatia e amabilidade

Seja no atendimento ao público ou simplesmente no quotidiano do ambiente de trabalho, apresentar um sorriso e um tom amigável ajuda a quebrar barreiras e encoraja os outros a comunicarem consigo, seja por e-mail, vídeo ou telefone.

Inspira honestidade e ajuda a promover a confiança e compreensão nas suas interações pessoais. Ter ainda mente aberta e uma atitude positiva em relação aos acontecimentos e aos seus colegas, fará com que os outros recorram a si e com que lhe seja mais fácil, também a si, recorrer aos outros.

A estas caraterísticas acrescem aqueles pequenos gestos de simpatia que ajudam na promoção de uma relação saudável, desde o perguntar como estão ou se algum problema específico se resolveu, dar os parabéns por um feito pessoal ou por um trabalho bem feito. 

Esta é uma soft skill que nem todos possuem. Normalmente, também não surge como tal num anúncio de emprego. No entanto, se é uma pessoa simpática por natureza não deixe de o mencionar no seu CV.

5. Empatia

A empatia é atualmente uma das competências mais valorizadas pelos empregadores dentro das chamadas soft skills. Isto porque se reconhece que a empatia é uma característica fundamental do relacionamento, quer ao nível de equipa quer numa base one-on-one.

A empatia consegue criar uma ligação forte entre as pessoas. Ser empático ou ter capacidade de engagement significa capacidade de motivar os outros em torno dos nossos objetivos, é uma aptidão-chave, por exemplo, de um bom líder. É ter a credibilidade e confiança suficientes para convencer (persuadir) os outros a seguir num determinado sentido.

A empatia envolve ainda reciprocidade, sensibilidade e emoções. Significa ser capaz de respeitar e valorizar outras opiniões, saber ouvir, partilhar os seus próprios pontos de vista, colocar-se no lugar do outro. Significa antecipar, perceber e partilhar das emoções dos outros.

Se tem capacidade de criar empatia, mencione-a no seu curriculum vitae, mesmo que não seja um requisito expresso na oferta de emprego. 

6. Respeito

O respeito é sempre apreciado qualquer que seja circunstância, pessoal, social ou profissional. O respeito pelas situações ou pelas pessoas está presente em múltiplas vertentes, pressupondo-se como intrínseco à boa formação de um individuo. Não é, por isso, habitual surgir como requisito para uma determinada função. No entanto, se o for, evidencie esta qualidade através dos principais aspetos que a caracterizam.

Tratar as pessoas pelo seu nome, saber ouvir atentamente e perceber os pontos de vista do outro, saber quando interpelar alguém ou quando responder, demonstram respeito na comunicação.

Em equipa ou em grupo, permitir aos outros expressarem-se sem interrupções e colocar as questões ou iniciar a comunicação no momento certo, são sinais de respeito. Também, colocar questões claras e pertinentes ou responder clara e integralmente a questões colocadas evidenciam um comportamento de respeito para com o(s) outro(s).

7. Confiança e convicção

A pessoa confiante, que acredita no que diz, é mais persuasiva ao transmitir uma mensagem e mais suscetível a obter respostas. Confiança e convicção são competências de bons comunicadores e aparecem, normalmente, a par.  

Há várias formas de mostrar confiança, desde logo através da postura, do foco na mensagem que está a transmitir e da forma como encara os outros. É evidenciável numa entrevista, num vídeo, na forma como interagimos no local de trabalho, mas também num currículo.

Demonstre essa confiança e convicção na forma como descreve as suas competências, seja escrita ou oralmente, mas tenha noção da fronteira que o separa da arrogância ou da vaidade, não pode parecer excessivo.

8. Dar e receber feedback

Os bons comunicadores são capazes de fornecer um feedback construtivo sobre determinado projeto e aceitam idêntico feedback por parte dos outros. Esta aptidão é essencial no local de trabalho, porquanto permite melhorias significativas no desenvolvimento de tarefas e, consequentemente, no desenvolvimento profissional de cada um. Simultaneamente, permite saber que o trabalho em curso tem acompanhamento, sendo positivo para ambas as partes. 

Nenhum trabalho de equipa eficiente e eficaz é possível sem essa crítica construtiva. Saber usar o feddback como ferramenta de trabalho, é analisá-lo e ponderar a forma de implementação das melhorias sugeridas. De igual modo, ao fornecer uma crítica construtiva, ela deve apontar o que está errado e porquê, bem como as formas de ultrapassar esses erros.

Esta é uma aptidão que não surge normalmente nos requisitos de emprego, mas deve, no entanto, ser uma capacidade a ter em conta e também desenvolvida, se necessário. Nem sempre é fácil aceitar uma crítica ou fazer uma crítica construtiva.

9. Capacidade de negociação

Em áreas como a comercial, de gestão, ou direito, possuir aptidões na área da negociação constituem uma ferramenta básica de sucesso. Saber negociar significa saber comunicar de forma clara e precisa, saber fundamentar pontos de vista (para que possam ser aceites mais facilmente), perceber as necessidades e objetivos da outra parte e ter a flexibilidade necessária para saber quando e onde pode abdicar de aspetos menos importantes da negociação (ganhando margem para impor outros, que ache mais importantes).

Ser um bom negociador passa ainda por ser honesto, credível e capaz de assumir soluções de compromisso para com a outra parte.

Se esta for uma competência requisitada para o emprego a que concorre ou, não o sendo, se considerar que a mesma é importante, evidencie-a no seu CV, dando exemplos de renegociações de contratos em que esteve envolvido (com clientes ou fornecedores, por ex.), identificando as melhorias que conseguiu obter em termos comerciais.

10. Team building

Ter capacidade de team building surge frequentemente como requisito necessário numa oferta de emprego. Funções de direção/chefia exigem fortes aptidões nesta área, já que as mesmas se revelam essenciais para  concretização de objetivos.

São várias as competências associadas a team building e evidenciá-las no seu CV significa que está pronto para assumir uma posição de liderança. Possuir esta capacidade tão abrangente quererá dizer então que possui, pelo menos, algumas destas aptidões:

  • sabe comunicar e interagir com equipas, ou seja, usa adequadamente as ferramentas de um bom comunicador (oral e escrito);
  • sabe captar a linguagem corporal e emocional da sua equipa e usá-la a seu favor;
  • é capaz de motivar e inspirar a equipa para o alcance dos objetivos traçados;
  • encontra formas de dinamizar a equipa;
  • é empático e consegue fomentar a empatia entre todos;
  • respeita e sabe fazer-se respeitado, num quadro de simpatia e confiança mútua;
  • sabe como fazer uma crítica construtiva e monitorizar a implementação das melhorias que sugere;
  • tem a humildade suficiente para reconhecer um erro que lhe seja apontado pela equipa;
  • é capaz de recompensar ou encorajar o sucesso da sua equipa;
  • tem um verdadeiro espírito de equipa no sentido de "comandar" em vez de "mandar".

Dicas para fazer brilhar as suas competências de comunicação no CV

Se considera que é um bom comunicador, demonstre-o desde logo na sua candidatura e, particularmente, no seu CV. Defina o seu marketing de comunicação e tire o máximo partido das suas competências:

  • Tome nota das palavras-chave do anúncio de emprego e use-as no seu CV (certificações e competências que sejam requisito fundamental).
  • Identifique e evidencie as suas qualidades de comunicador ao longo do seu curriculum vitae, mostre que o é na forma como escreve ou como fala.
  • Seja objetivo e use palavras assertivas e fáceis de processar.
  • Inclua o que acrescenta valor e não se alongue em informação genérica que não vai distingui-lo dos demais candidatos.
  • Sempre que possível, demonstre as suas competências através da descrição de experiências anteriores e dos objetivos (quantificados) que conseguiu alcançar. Esta é uma forma inteligente de comunicar que preenche os requisitos para a função.
  • Reveja cuidadosamente os documentos escritos da sua candidatura: erros ortográficos, typos e formatação.
  • Se é um excelente orador, seja original, prepare um vídeo de motivação e acrescente-o à sua candidatura.
  • Se lhe exigem a proficiência numa determinada língua, faça um vídeo de motivação nessa língua.

Veja também competências fundamentais para o seu CV.

Paula Vieira
Paula Vieira
Licenciada em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Experiência profissional em Banca de Investimento (corporate finance, fusões & aquisições e mercado de capitais), direção financeira e controlo de gestão. Atualmente presta assessoria financeira independente.