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Espanha já tem um plano para evitar outro apagão. E Portugal?

Mais de um ano após o apagão que deixou milhões sem rede móvel, a Telefónica e a Cellnex reforçaram o acordo para evitar novas falhas. A dúvida é se Portugal também terá acesso à mesma solução.

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Fonte: Cellnex

A Telefónica e a Cellnex, a maior gestora de torres de telecomunicações da Europa, ampliaram o acordo que já tinham para instalar baterias e geradores em locais estratégicos da rede móvel espanhola.

Segundo o El Español, a Telefónica e a Cellnex vão alargar este plano para um total de 3.800 antenas, depois de já terem equipado mais de 2.000 desde o início do ano.

O que ficou por resolver no apagão de 2025

Para perceber a importância deste reforço, é preciso recuar ao dia 28 de abril de 2025. Uma falha na rede elétrica ibérica deixou Portugal e Espanha às escuras durante horas, e o problema não ficou pela eletricidade: assim que as baterias de reserva das antenas móveis começaram a esgotar-se, as operadoras foram obrigadas a desligar progressivamente serviços, começando pelos dados móveis e pelo 5G, para tentar poupar energia para chamadas e SMS de emergência.

Em Espanha, a rede móvel chegou a cair para 40% de disponibilidade poucas horas depois do apagão; em Portugal, a queda foi ainda mais acentuada, com quebras de até 90% nas velocidades de download em zonas como Braga, Porto, Vila Real e Santarém.

O motivo é simples: a maioria das antenas móveis depende de baterias com autonomia de poucas horas, pensadas para suportar cortes pontuais e não uma falha nacional prolongada.

O que muda com o novo acordo entre Telefónica e Cellnex

O acordo alargado garante agora uma autonomia mínima de duas horas em todas as 3.800 antenas abrangidas, com a implementação concluída até junho de 2027. O modelo funciona como um serviço: a Cellnex instala e faz a manutenção das baterias, enquanto a Telefónica paga pela utilização da infraestrutura nas suas torres.

Este reforço surge antes da entrada em vigor do novo Real Decreto de Segurança e Resiliência das Redes, que está a ser preparado em Espanha. A proposta deverá obrigar os operadores a garantir pelo menos quatro horas de cobertura móvel para 75% da população durante um apagão total, com um período de adaptação de três anos para cumprir a nova regra.

E vai chegar a Portugal?

A Cellnex não é uma empresa estranha ao mercado português: gere a generalidade das torres móveis da MEO e da NOS desde que as comprou, entre 2020 e 2022, tornando-se a maior operadora independente de infraestruturas do país. Ou seja, a tecnologia e o parceiro que tornam este reforço possível em Espanha já operam também por cá.

Por agora, porém, não existe um acordo equivalente anunciado para Portugal. O país teve, ainda assim, a sua resposta própria ao apagão de 2025: a Vodafone confirmou já ter investido "vários milhões de euros" no reforço de baterias e geradores nos locais mais estratégicos da sua rede, além de ter apresentado a SOS Connected Backpack, uma mochila de emergência com bateria e mini-antena móvel para situações de catástrofe.

Já o regulador português, à semelhança do espanhol, ainda não obrigou formalmente as operadoras a garantir um número mínimo de horas de autonomia em caso de apagão nacional, ainda que os alertas para o risco de um novo apagão na Península Ibérica já tenham voltado a soar menos de um ano depois do primeiro.

Se o exemplo espanhol servir de modelo, e com a Cellnex já a operar dos dois lados da fronteira, um acordo semelhante em Portugal não seria uma novidade técnica, apenas uma questão de decisão comercial e regulatória.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Redator no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.