Criação de Empresas

Na criação de uma empresa é fundamental a conjugação de três fatores essenciais:

  1. Homem
  2. Ideia
  3. Mercado

Uma ideia só conduzirá a uma empresa bem sucedida se corresponder a uma necessidade não satisfeita, ou se for capaz de satisfazer melhor necessidades para as quais já existe oferta de produtos ou de serviços. Por outro lado, o potencial empresário deve possuir determinadas características e motivações que se podem tornar vantagens para a criação de uma empresa.

Infra-estruturas de apoio à actividade empresarial

Os Centros de Formalidades de Empresas (CFE) são serviços de atendimento e de prestação de informações aos utentes que têm por finalidade facilitar os processos de constituição, alteração ou extinção de empresas e actos afins. Consistem na instalação física num único local de delegações ou extensões dos Serviços ou Organismos da Administração Pública. Os CFE têm competência para constituir os seguintes tipos de sociedades comerciais:

  • Sociedade por quotas e unipessoais por quotas
  • Sociedades Anónimas
  • Sociedades em comandita
  • Sociedades em nome coletivo
  • Alteração de pactos sociais (de empresas já existentes)

Exploração da envolvente externa

Técnica baseada na recolha, seleção, tratamento e validação de informações várias e propõe-se que seja efetuada em sete fases:

  • 1ª Fase: O promotor deverá realizar uma pré-definição do projeto indicando: - o que se quer fazer exatamente (quais os produtos ou quais os serviços) - a quem se destinam - em que zona geográfica
  • 2ª Fase: O promotor deverá reunir, numa lista, as questões relativamente às quais gostaria de encontrar resposta e os locais (fontes) prováveis de obtenção das informações.
  • 3ª Fase: É muito importante auscultar o sector onde o futuro empresário pensa vir a exercer a sua actividade. Para tal, este deverá ler toda a informação que surge em revistas técnicas da especialidade, visitar feiras e exposições e conhecer a concorrência.
  • 4ª Fase: Esta fase consiste na reunião de todos os dados quantificados (e outros de interesse para o projeto) disponíveis tanto em estatística como em bases de dados, estudos sectoriais e publicações periódicas. Adicionalmente, poderá ser conseguida informação através da consulta dos dados existentes no Instituto Nacional de Estatística ou nos Centros de Documentação das Associações Empresariais, por exemplo.
  • 5ª Fase: Outra informação relevante poderá ser obtida através da consulta de peritos no sector de actividade em causa, de serviços especializados de criação de empresas, bem como fornecedores, Bancos, etc..
  • 6ª Fase: Esta fase consiste na realização de um inquérito informal, direto ou indireto, sobre os concorrentes, questionando, por exemplo, os fornecedores e os clientes destes.
  • 7ª Fase: Este processo terminará com um estudo dos potenciais clientes recorrendo-se, se necessário, à utilização de um questionário tipo.

O estudo de mercado elaborado deverá constituir um instrumento que permita ao empresário estruturar a sua política comercial em várias vertentes:

  • Definição da estratégia de marketing;
  • Definição das bases da ação comercial da empresa;
  • Identificação precisa dos produtos ou serviços a comercializar, as respetivas características, as vantagens comparativas e os serviços que, eventualmente, lhes estão associados;
  • Fixação de preços e de condições de venda que permitam atingir os objetivos estabelecidos em matéria de volume de vendas e de rentabilidade;
  • Escolha dos circuitos de distribuição, ou seja, dos processos através dos quais os produtos ou os serviços serão postos à disposição dos clientes;
  • Determinação da “imagem” da empresa e dos produtos ou serviços, que abrange aspetos como o nome da futura empresa, a publicidade;
  • Preparação dos meios de negociação direta, do processo de prospeção e, eventualmente, de uma força de vendas; - determinar um volume de negócios previsional, de acordo com o(s) cenário(s) escolhidos(s).

Meios financeiros, materiais e humanos

A concretização de um projeto de criação de empresa tendo por base as opções estratégicas feitas, em termos de produto, de mercado e também de dimensão do empreendimento, implica a reunião de um importante conjunto de meios.
Dado que a insuficiência qualitativa e quantitativa de meios é uma das principais causas de insucesso das empresas nascentes, o empresário deverá ser rigoroso na avaliação das suas necessidades. No caso de se verificar um desvio entre os meios necessários para a realização do projeto e aqueles que efetivamente estão disponíveis, haverá que optar por um projeto menos ambicioso ou, em alternativa, procurar encontrar financiamentos suplementares.

No projeto de criação de empresa é necessário incluir um conjunto de previsões financeiras, que irão servir de base a negociações futuras:

  • Balanço (inicial e do fim do primeiro ano), que representa a situação patrimonial da empresa (o que possui e o que deve) naqueles dois momentos;
  • Plano de financiamento da empresa (a três anos), que permite prever a médio prazo os recursos da empresa e as necessidades de financiamento;
  • Conta de exploração previsional (calculada geralmente para os primeiros 3 a 5 anos), que exprime o resultado líquido da exploração normal das atividades principais da empresa num dado período através do registo dos proveitos e dos custos relativos à formação daquele resultado;
  • Orçamento de tesouraria previsional (no mínimo para os primeiros meses de actividade da empresa) que regista o saldo financeiro inicial, todos os pagamentos a efetuar e todos os recebimentos previstos.