
Miguel Almeida, o presidente executivo da NOS, manifestou a sua visão sobre o estado dos direitos televisivos do desporto e a entrada de novos operadores no mercado. Numa entrevista concedida ao jornal Expresso, o gestor abordou diretamente o modelo de negócio da LiveModeTV, plataforma que assegurou as transmissões do Mundial 2026.
Embora não se oponha à entrada desta nova entidade no mercado durante o torneio de seleções, Miguel Almeida deixou claro que o formato atual, assente apenas em receitas de publicidade, não é viável e sublinha que as regras de atuação devem ser iguais para todos.
Para o responsável da operadora nacional, a plataforma de transmissão apresenta se como "parcialmente concorrente, mas essencialmente complementar" à oferta que a Sport TV disponibiliza atualmente. Contudo, Miguel Almeida avisa que a transmissão gratuita não se vai aguentar a longo prazo.
"Tem de haver subscrição, o consumidor tem de estar disponível para pagar alguma coisa", diz Miguel Almeida
"Tem de haver subscrição, o consumidor tem de estar disponível para pagar alguma coisa porque os custos associados a esses conteúdos são astronómicos", referiu ao jornal Expresso. Esta discrepância entre modelos pagos e gratuitos levanta um cenário desafiante para as empresas tradicionais de telecomunicações.
Depois de garantir os direitos do Mundial 2026, caso a LiveMode conseguisse adquirir os direitos da Liga Portuguesa, o paradigma mudava por completo. Atualmente, um mês de subscrição da Sport TV custa 34,99 euros, ao passo que a LiveMode transmite os jogos de forma gratuita através do YouTube.
A entrada agressiva desta plataforma no mercado nacional de transmissões já está a ter efeitos práticos nas competições de clubes portugueses. Como te informámos anteriormente, o Benfica vai dar gratuitamente na LiveModeTV e já sabemos quando.
O primeiro jogo oficial dos encarnados em casa na época de 2026 e 2027, um confronto frente aos suíços do St. Gallen a contar para a Liga Europa, terá transmissão nesta plataforma sem qualquer custo para o adepto.
O impacto financeiro destas dinâmicas de mercado é profundo e não passou ao lado das declarações de Miguel Almeida. O CEO confessou ao jornal Expresso que o modelo financeiro vigente no desporto televisivo simplesmente não é sustentável.
O gestor admitiu não estar tranquilo com os números apresentados e assume sem hesitações que a Sport TV é "um buraco financeiro" nas contas da NOS, justificando esta realidade com os difíceis contextos do mercado.
NOS vai abandonar o negócio do desporto
Apesar da gravidade das perdas apontadas neste segmento, o diretor executivo não evidenciou uma preocupação desmedida com o futuro a longo prazo, revelando que a intenção da operadora passa precisamente por abandonar o negócio do desporto, aproveitando a centralização dos direitos televisivos agendada para o ano de 2028.
